Oito em cada 10 trabalhadores com redução de horário para tratar da família são mulheres
Lisboa, 07 mai (Lusa) -- Oito em cada dez trabalhadores com redução de horário são do sexo feminino, segundo um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE), que recorda que são as mulheres quem mais tenta conciliar vida familiar e trabalho.
"Entre os trabalhadores que optaram por reduzir o horário de trabalho em benefício dos filhos, as mulheres representavam 78,6% dos casos em 2010", revela o INE na véspera do Dia Mundial da Mulher.
As mulheres estão mais presentes na vida familiar e são quem mais se disponibiliza para tratar do próximo: 64,4% dos prestadores de cuidados a crianças e a pessoas dependentes são do sexo feminino, revela o destaque do INE que fala em 648 mil mulheres.
Quase duas em cada dez mulheres dispõem do seu tempo para tratar de outros: 18,1% das mulheres entre os 15 e os 64 anos prestam regularmente cuidados a crianças com menos de 15 anos (para além dos seus próprios filhos ou dos filhos do cônjuge) e a pessoas doentes, incapacitadas ou idosas.
Numa época em que os dois elementos do casal trabalham fora de casa, continua a ser a mulher quem mais se esforça por conjugar a vida profissional com a familiar.
São as trabalhadoras quem mais utiliza instrumentos de conciliação como a redução do horário de trabalho, a interrupção de carreira e a licença parental. E os cuidados a menores e a pessoas dependentes continuam a ser, também, assegurados essencialmente pelas mulheres.
Perante esta realidade, o INE conclui que a adoção de práticas que promovam um melhor equilíbrio entre os dois universos -- trabalho e família -- "não está ainda generalizada entre a população portuguesa.
Um estudo do INE realizado em 2010 conclui que mais de metade das mulheres que trabalha por conta de outrem, com um horário de trabalho fixo, consegue reduzir o seu horário em pelo menos uma hora por razões familiares enquanto 32,4% diz ter "geralmente essa possibilidade", 23,8% admite que raramente consegue ter uma redução de horário e as restantes não têm qualquer hipótese de o fazer.
Apesar do esforço de conciliação com a vida familiar, a maioria das mulheres (62,7%) diz que não tem possibilidade de se ausentar do trabalho por dias completos, por razões familiares.
A redução efetiva do horário de trabalho e a interrupção de carreira ainda não é uma prática comum entre os portugueses: apenas 8,6% das pessoas reduziram o horário para dar assistência aos filhos (dos quais 13,2% eram mulheres e 3,8% eram homens em iguais circunstâncias).
A interrupção da carreira ou o término da atividade profissional para cuidar dos filhos são pouco frequentes: somente 10,1% das pessoas interromperam ou suspenderam a atividade pelo menos durante um mês, proporção particularmente influenciada pelas mulheres (17,0%).
Ter filhos significa mais dificuldades em participar no mercado de trabalho, sendo que quanto mais novas são as crianças mais difícil é: o INE diz que as mães com filhos com menos de três anos têm 8 pontos percentuais de menos hipóteses que as mulheres sem filhos, e menos 4,5 pontos percentuais quando se trata de descendentes entre 3 e 5 anos e de 3,3 pontos percentuais nos casos em que os filhos têm entre os 6 e 9 anos.
A população feminina desempregada, que se estima serem 340,1 mil mulheres, representa 48,2% da totalidade da população desempregada no ano passado.
Mais de metade das mulheres desempregadas encontrava-se em situação de desemprego de longa duração: 181,7 mil mulheres procuravam emprego há 12 e mais meses.