ONU e Banco Mundial criam célula de crise por causa do preço dos alimentos

As Nações Unidas (ONU) e o Banco Mundial (BM) vão criar um gabinete de crise para responder aos problemas alimentares mundiais causados pelo aumento dos preços. Esta célula de crise vai recorrer a medidas de urgência e de longo prazo para fazer face à crise causada pelo aumento vertiginoso dos preços de bens essenciais como o trigo.

Cristina Sambado, RTP /
Aumento do preço dos alimentos leva ONU e Banco Mundial a criar célula de crise RTP

Para delinear um plano contra a crise provocada pelo aumento do preço de produtos alimentares, Ban Ki-Moon, secretário-geral da ONU, e os dirigentes de 27 agências e organismos das Nações Unidas, estão reunidos desde segunda-feira em Berna, na Suíça. Ban Ki-Moon vai dirigir a célula de crise que é composta por responsáveis das agências da ONU e do Banco Mundial.

Na reunião foram referidas, entre as causas da crise, a falta de investimentos no sector agrícola, os subsídios que pervertem o comércio, os subsídios aos biocombustíveis, as más condições climatéricas e a degradação do meio ambiente.

Ban Ki-Moon pede uma ajuda urgente de pelo menos 1.600 milhões de euros para fazer frente à crise. ”Sem o total financiamento destas exigências de emergência arriscamos novamente uma vaga de fome, subnutrição e mau-estar social, numa escala sem procedentes”, afirmou.

O secretário-geral da ONU considera um “desafio sem procedentes” o aumento de preço dos alimentos no mercado mundial.

Banco Mundial pede aos países exportadores para não fecharem as portas

“As próximas semanas serão críticas para milhares de pessoas”, afirmou Robert Zoellick, director do Banco Mundial, que revelou que a instituição que lidera “planeia criar um fundo para financiar os países mais pobre e ajudá-los nas respectivas agriculturas”.

Robert Zoellick deixou um apelo aos países exportadores de cereais: “pedimos aos países para não proibirem as exportações. Estes controlos encorajam o açambarcamento, fazem os preços subir e prejudicam as pessoas mais pobres do Mundo que lutam para se alimentar”.

Para fazer face à penúria alimentar e ao aumento dos preços, os produtores da Argentina, Brasil, Vietname, Cambodja, Indonésia, Kazaquistão, Índia, Egipto, Rússia e China impuseram recentemente limitações ao preço de certos produtos alimentares.
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