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ONU propõe cortes de mais de 422 milhões de euros no orçamento de 2026

ONU propõe cortes de mais de 422 milhões de euros no orçamento de 2026

As Nações Unidas apresentaram hoje uma revisão do seu orçamento regular para o próximo ano, propondo reduções superiores a 500 milhões de dólares (422 milhões de euros).

Lusa /

Numa carta divulgada aos trabalhadores da ONU, o secretário-geral da organização, António Guterres, garantiu que as reduções - "embora substanciais" - foram cuidadosamente calibradas.

Em causa estão cortes de cerca de 15% no orçamento regular (mais de 500 milhões de dólares) e quase 19% nos postos de trabalho em comparação com 2025.

"Não se trata de reduções generalizadas. Mantêm o equilíbrio entre os três pilares da Organização -- paz e segurança, direitos humanos e desenvolvimento sustentável", diz a missiva assinada por Guterres.

As reduções concentram-se nos maiores departamentos do Secretariado da ONU, protegendo os principais programas que apoiam diretamente os Estados-membros, particularmente os países menos desenvolvidos, os países em desenvolvimento sem litoral e os pequenos Estados insulares em desenvolvimento, assim como a defesa do desenvolvimento de África.

Os cortes integram as primeiras medidas da "Iniciativa ONU80" - um projeto anunciado por Guterres e que visa mudanças estruturais na própria organização, como a fusão de unidades, eliminação de duplicações funcionais e estruturais, e cortes em funções que são desempenhadas noutras partes do sistema, incluindo nas missões de paz.

O plano foi já comunicado ao Comité Consultivo para Questões Administrativas e Orçamentais da ONU, um órgão subsidiário da Assembleia-Geral que iniciará a revisão do plano ainda este mês.

Numa carta aos Estados-membros, o secretário-geral da ONU explicou que as reduções resultaram de uma revisão detalhada da execução de mandatos e da distribuição de recursos.

As medidas da "Iniciativa ONU80" incluem a criação de centros administrativos em Nova Iorque e Bangkok, a unificação do processamento de salários numa equipe global distribuída entre Nova Iorque, Entebbe e Nairóbi, e a transferência de funções desde as sedes mais caras - como Nova Iorque e Genebra - para locais de menor custo, de acordo com a ONU News.

Além disso, a ONU planeia desocupar dois edifícios alugados em Nova Iorque até 2027, gerando poupanças anuais a partir de 2028.

Essas mudanças visam melhorar a qualidade dos serviços e atender às exigências dos Estados-membros por uma maior eficiência, mas assegurando sempre o cumprimento dos mandatos.

Guterres reconheceu que os cortes afetarão os funcionários da ONU, mas comprometeu-se a oferecer apoio e transparência durante o processo, com comunicação regular, consultas e orientações práticas.

O secretário-geral enfatizou que as decisões, embora difíceis, serão conduzidas com justiça, empatia e profissionalismo, envolvendo todos os níveis da organização.

A ONU foi severamente afetada por cortes de financiamento do seu maior doador, os Estados Unidos, após a tomada de posse de Donald Trump como Presidente, em janeiro. 

A iniciativa de Guterres surge no momento em que as Nações Unidas celebram o seu 80.º aniversário, e numa altura de sérias dúvidas sobre a capacidade da organização de trabalhar na resolução de conflitos, na entrega de ajuda alimentar aos mais vulneráveis ou no combate a doenças, entre outros aspetos. 

Apesar da carga de trabalho da ONU aumentar de ano para ano, os recursos estão a diminuir em todos os setores, contribuindo para isso o facto de que nem todos os Estados-membros pagam na totalidade as obrigações anuais e muitos também não pagam a tempo. 

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