OPA da Bondalti sobre a Ercros teve aceitação superior a 50% e abre caminho a gigante ibérico
A empresa portuguesa Bondalti revelou hoje que a Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada sobre a totalidade das ações da espanhola Ercros teve um nível de aceitação superior a 50% dos direitos de votos efetivos da empresa visada. Pode nascer assim um novo gigante ibérico no setor químico. Com esta aquisição, a Bondalti quer criar um "campeão ibérico industrial com dimensão europeia" para combater a concorrência dos Estados Unidos e da China.
Numa comunicação enviada à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) espanhola, a Bondalti informa que estes resultados são preliminares, sendo o resultado final e oficial aquele que será publicado pela CNMV dentro do período correspondente.
A OPA da Bondalti sobre a Ercros tinha sido autorizada no dia 10 de fevereiro, com a empresa portuguesa a oferecer em dinheiro um total de 3,505 euros por ação.
Ainda em fevereiro, o conselho de administração da empresa química catalã Ercros emitiu um parecer "desfavorável" à OPA lançada pela Bondalti com os três membros acionistas da empresa a declararam a sua intenção unânime de não vender as suas ações.
A OPA, lançada em março de 2024, tem um valor total que ronda os 329 milhões de euros.
No entanto, a posição do conselho não foi unânime, uma vez que a Lourdes Vega considerou "razoável" a contrapartida oferecida, afirmando que a OPA seria "uma alternativa válida para os acionistas".
Um dia depois, a Bondalti avaliou positivamente vários aspetos do relatório do Conselho de Administração da Ercros sobre a OPA, mas considerou existirem inconsistências nas argumentações e "graves omissões, induções em erro e inexatidões relativamente ao próprio relatório emitido pelo Conselho de Administração da empresa".
Entre as omissões destacadas pela Bondalti estava a falta de unanimidade na opinião dos administradores - exemplificando com a opinião favorável à OPA de uma administradora -, bem como de referência ao relatório favorável das Secções Sindicais Maioritárias da CCOO e da UGT na Ercros.
A empresa química argumentou também que, apesar de o relatório indicar que nas duas últimas assembleias gerais os acionistas da Ercros manifestaram de forma maioritária a sua opinião desfavorável à OPA, "não há registo de que tenha havido qualquer votação a este respeito".
A Bondalti defendeu ainda que tinha sido emitido "um grave juízo de valor ao insinuar que a Ercros ficaria diluída e perderia a sua relevância num conglomerado muito maior cujo negócio principal não é o químico, quando tal não corresponde à realidade", reiterando que "a indústria química tem sido o negócio fundador do Grupo José de Mello desde a sua criação em 1898".
c/Lusa