Operadores turísticos de Caldas da Felgueira queixam-se da falta de investimento

Operadores turísticos das Caldas da Felgueira queixam-se da falta de investimento naquela localidade ao longo de décadas, apesar de ser um dos principais pólos turísticos do concelho de Nelas, com milhares de pessoas a frequentarem as suas termas.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Situadas na região Dão Lafões, no distrito de Viseu, as Caldas da Felgueira são um pequeno aglomerado populacional. As suas águas, que começaram a ser usadas no início do século XIX, servem sobretudo para tratar males de foro respiratório, músculo-esquelético e dermatológico.

"O problema é que esta Câmara e as anteriores não olham para Caldas da Felgueira como um ponto importante de riqueza do concelho. Mas estamos a falar de clientes que vêm e ficam cá 15 dias", afirmou Isabel Pires, da família proprietária do Hotel Pantanha e da Pensão Moderna.

Problemas no pavimento, na iluminação e no saneamento e a falta de espaços agradáveis para passear e brincar, nomeadamente um jardim e um parque infantil (que existe mas está fechado) são algumas das queixas.

"Então entende-se que se ande há anos a pedir para pôr um candeeiro ou um bocado de alcatrão? Outro problema é a falta de sinalização (a indicar as termas), a que existe foi paga pelos hotéis", lamentou.

Na opinião de Isabel Pires, as unidades hoteleiras têm-se esforçado por acompanhar o desenvolvimento das termas, investindo quer nos espaços, quer nas actividades que oferecem aos seus clientes, mas o mesmo não tem sido feito da parte da autarquia.

"Mostram muita boa vontade, mas isso não chega, porque hoje em dia o cliente não é como há 20 anos atrás. Não quer só comida e dormida", considerou.

O mesmo defende o director-geral da Companhia das Águas Medicinais da Felgueira, Adriano Barreto Ramos, que, ainda assim, prefere dar "o benefício da dúvida" a este executivo antes de o criticar.

Lembrou que a sociedade Patris Capital só em Fevereiro adquiriu a companhia e o Grande Hotel e que "a Câmara tem mostrado vontade em fazer as coisas".

"Há realmente muito a fazer em Caldas da Felgueira, porque hoje em dia o termalismo não pode ser só encarado na sua vertente terapêutica. Há que apostar numa perspectiva preventiva, de bem-estar e de beleza", explicou Adriano Barreto Ramos.

Neste âmbito, as termas são procuradas por "turistas de classe alta e média alta".

"Não pode haver buracos na rua, jardins por arranjar e um parque infantil fechado", defendeu.

Também António Minhoto, proprietário do Quiosque Sombrinha, considera que os vários executivos camarários "não têm demonstrado interesse por este pólo turístico".

"Caldas da Felgueira representa apenas cem eleitores, ainda por cima divididos por duas freguesias (Nelas e Canas de Senhorim) e, por isso, não tem interesse eleitoral", referiu.

António Minhoto afirmou que a localidade tem sido "alvo do desprezo da Câmara", dando como exemplo "as tubagens da água e do saneamento, que são do século passado e estão sempre a rebentar, o que obriga a constantes maus tratos às ruas".

Lembrou que estas termas "são as melhores do país para as vias respiratórias, com uns balneários óptimos", mas que os seus utentes "precisam de algo mais além dos tratamentos".

"Isto é como ir a um restaurante almoçar. Não basta ter uma comida muito boa, também interessa o ambiente", frisou, lamentando "o mau estado da sala de visitas", com estradas degradadas e sem espaços de lazer.

Os operadores turísticos defendem que Caldas da Felgueira deve ser alvo de um projecto de requalificação global para que consiga responder à concorrência de outras termas do país, nomeadamente na Região Centro, em que outras autarquias têm apostado.

O vice-presidente da Câmara de Nelas, Osvaldo Seixas, admitiu que Caldas da Felgueira "têm falhas estruturais graves com 20 anos, nomeadamente ao nível do saneamento, estradas e falta de estacionamento".

No entanto, garantiu que, por reconhecer a sua importância turística, a autarquia está, dentro das suas possibilidades financeiras, a tentar resolver alguns dos problemas, exemplificando com o parque de estacionamento em construção e alguma animação no posto de turismo.

"Temos lutado para incluir Caldas da Felgueira nos planos estratégicos regionais das entidades (região de turismo e associações de municípios) a que pertencemos e esforçamo-nos para, junto do Governo, demonstrar a sua importância", sublinhou.

Osvaldo Seixas disse que a autarquia aguarda a definição do que vai ser elegível no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), ainda que as perspectivas não sejam muito optimistas.

"O país está virado para a praia, para o Algarve e para a Madeira. O produto termas deixou de ser considerado essencial para o país. Haverá alguma coisa que se lhe destine, mas sempre como sub-produto", lamentou.

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