Organização dos manifestantes do Porto identificou 37 feridos após carga policial

Organização dos manifestantes do Porto identificou 37 feridos após carga policial

A organização do movimento pela habitação no Porto identificou hoje 37 feridos ligeiros e cinco pessoas ainda a receber assistência médica, após a carga policial para desocupar a Praça D. João I.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"A leitura quente é avassaladora, é a terceira noite em que somos reprimidos com um método de intimidação total que jamais se esperava num país democrático e de Direito. A contagem preliminar são cerca de 37 feridos ligeiros aqui connosco, mais cinco a serem assistidos neste momento pelos cuidados médicos, cujo estado não temos a certeza. Também temos dois detidos, contagem preliminar, mas continuamos a ter pessoas em falta", explicou aos jornalistas Catarina dos Santos, uma das porta-vozes da Acampada.

Segundo a mesma fonte, "a repetição" da carga policial, que já tinha acontecido uma vez e provocado 39 feridos, desde que o movimento arrancou a 10 de outubro, já é "em si gravíssima".

"Talvez não tenha sido da mesma violência, também porque tivemos muito mais companheiros do nosso lado, muito mais solidariedade e muito mais pessoas a observar o que aconteceu. Havia muita gente nas suas casas que, quando se aperceberam do que estava a acontecer pela televisão, se juntou a nós. Mesmo os agentes encapuzados que vieram para nos demover têm famílias em casa que estão contra aquilo que está a ser feito", criticou a porta-voz.

Catarina dos Santos deixou ainda a garantia, quando questionada se hoje voltariam à Praça D. João I, que "ninguém arreda pé da praça até as reivindicações serem ouvidas".

Questionada sobre o uso de `tasers` durante a carga policial, tendo jornalistas e televisões testemunhado várias pessoas atiradas ao chão, retiradas com violência e, pelo menos num caso, tido sido acionado um `taser` num manifestante, disse que a PSP está "a usar todas as táticas de intimidação ao seu dispor".

"Dada a arquitetura da praça significava que íamos ter feridos muito graves, coisa que duvido que o Ministério da Administração Interna tenha capacidade para lidar com neste momento. Dito isso, havia pelo menos 20 cães de controlo de multidões, claramente atiçados, várias armas apontadas a nós e, se isto não é intimidatório e grave, não sei o que é", lamentou.

A Unidade Especial de Polícia da PSP começou hoje a tentar desmobilizar os manifestantes na Praça D. João I, no Porto, depois de terem rejeitado tirar as tendas.

Após horas de tensão que envolveram a chegada de mais elementos da polícia, cães e altercações em redor da praça, pelas 02:02 a PSP começou a intervenção.

Ao longo da noite, em redor da praça vários populares foram-se fazendo ouvir e criticaram a presença da PSP e dos cães, com vaias e gritando, por exemplo, "Vergonha", "25 de Abril sempre!", ou cantando a música "Grândola Vila Morena", de José Afonso.

Após serem retirados à força da Praça D. João I, os manifestantes encaminharam-se para a Praça General Humberto Delgado, em frente à Câmara do Porto.

Neste local, pelas 2:25, várias centenas de pessoas concentraram-se, tendo as bandeiras de Portugal e do Porto sido colocadas a meia haste.

Pelas 2:40, uma pessoa recebia assistência médica e várias dezenas de pessoas identificaram-se, de braço no ar, como feridos.

Lusa

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