Órgãos de comunicação social especializados no setor primário pedem apoios

Viseu, 04 mai 2020 (Lusa) - Órgãos de comunicação social que se dedicam à promoção e divulgação do que se faz no setor primário em Portugal pediram ajuda ao Governo para ultrapassar as dificuldades provocadas pela pandemia de covid-19.

Lusa /

Numa carta enviada aos ministérios e entidades que tutelam o setor, estes órgãos apelam a que lhes seja atribuída uma parte "do valor destinado à promoção e divulgação dos diferentes programas de apoio" a áreas como a agricultura, o desenvolvimento rural, a floresta, a promoção territorial, o ambiente, o turismo e a gastronomia.

As revistas Gazeta Rural, Voz do Campo, Frutas e Legumes, Ruminantes, Vida Rural, Agrotec e Tecnoalimentar, o Jornal dos Sabores, os portais Agricultura e Mar e Agronegócios e o Agro-Manual também consideram que, no contexto atual, deve ser suspensa a taxa para a Entidade Reguladora para a Comunicação Social e aliviados os procedimentos administrativos associados.

Os subscritores da missiva, a que a agência Lusa teve acesso, explicam que estes órgãos se inserem "no segmento da Imprensa Técnica Especializada, produzem informação, cobrem todo o território nacional e têm centenas de milhares de leitores".

No entanto, já foram informados pela Associação Portuguesa de Imprensa que se encontram fora dos apoios previstos (publicidade institucional), porque estes só se destinam a órgãos de comunicação social generalistas, nacionais ou regionais.

"Pretendemos, com esta iniciativa, apelar às entidades que tutelam os diversos setores relacionados com a área a que nos dedicamos que olhem para nós como parceiros e nos deem o valor e o reconhecimento que julgamos merecer", argumentam.

Estes órgãos lembram que, ao longo dos anos, têm acompanhado "os acontecimentos nos povoamentos mais recônditos" do território - do Minho ao Algarve, nos Açores e na Madeira - em áreas que vão desde a agricultura ao desenvolvimento rural.

"Promovemos e divulgamos os nossos produtos endógenos, as feiras e eventos associados, sem esquecer as tradições, os saberes e os sabores característicos, muito importantes para um turismo de qualidade e que vem em crescendo", sublinham.

Desta forma, consideram que têm "contribuído grandemente e de forma positiva para promover e, com isso, apoiar, os setores e áreas a que os grandes media, durante muito tempo, não deram qualquer relevância".

Os responsáveis destes órgãos de comunicação social garantem que, apesar do contexto "de extremas dificuldades" em que vivem, continuam motivados e querem continuar o seu trabalho, "agora ainda com mais afinco", para ajudar a "reerguer a economia em geral" e manter o meio rural vivo.

"Sabemos, enquanto órgãos de comunicação social especializados, que temos essa responsabilidade, mas sabemos também que, por não sermos generalistas, ficamos muitas vezes arredados de determinados apoios institucionais, como é o caso, por exemplo, do porte pago", lamentam.

O seu objetivo não é receberem esmolas, mas sim terem "mais trabalho, mas com o mínimo de acompanhamento e garantia por parte das entidades competentes no sentido de um maior e melhor acesso à publicidade institucional", para que consigam alcançar "os dividendos necessários para fazer face às necessidades financeiras do dia-a-dia".

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 247 mil mortos e infetou mais de 3,5 milhões de pessoas em 195 países e territórios. 

Mais de um milhão de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.043 pessoas das 25.282 confirmadas como infetadas, e há 1.689 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

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