Países africanos têm de apostar na diversificação económica - UNCTAD

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) defendeu hoje que os países africanos devem aproveitar a crescente classe média, as melhores condições financeiras e o setor privado para garantir a diversificação das economias.

Lusa /

"Os países africanos têm de diversificar as exportações para sobreviver aos choques económicos das crises globais, como a pandemia de covid-19 e a guerra na Ucrânia", aponta-se no relatório hoje divulgado em Genebra sobre o Desenvolvimento Económico em África 2022.

"A zona de comércio livre africana, uma crescente classe média, um emergente mercado de consumo, o maior acesso a tecnologia e serviços financeiros e empreendedores privados dinâmicos podem ajudar a diversificar as economias africanas", apontam os peritos da ONU no relatório.

Apesar dos esforços de diversificação, 45 das 54 economias africanas ainda dependem principalmente da exportação de matérias-primas nas indústrias da agricultura, minas e extração de recursos naturais, diz a UNCTAD, defendendo que "é preciso repensar os esforços de diversificação das economias".

Citada no comunicado, a secretária-geral da UNCTAD, Rebeca Grynspan, afirmou que "a dependência das exportações de matérias-primas deixou muitas economias africanas vulneráveis aos choques globais e prejudicou o desenvolvimento inclusivo durante demasiado tempo".

Para a líder da UNCTAD, o enorme potencial de África de cortar com a dependência das matérias-primas e garantir a sua efetiva integração nas cadeias de valor acrescentado tem de ser cumprido: "Ao resolver as barreiras ao comércio em serviços, aumentar as capacidades relevantes e melhorar o acesso a financiamento inovador e alternativo, a produtividade da região pode ser aumentada, impulsionando o crescimento económico africano e a transformação estrutural do futuro", acrescentou.

Defendendo a aposta na tecnologia e nos produtos de valor acrescentado, o relatório da UNCTAD nota também que existe um défice de financiamento do setor privado, que a Corporação Financeira Internacional coloca nos 416 mil milhões de dólares, sensivelmente o mesmo em euros, todos os anos.

"O setor privado formal e informal tem um papel crítico na diversificação e na transformação das economias africanas", salienta o relatório, lembrando que as pequenas e médias empresas (50 milhões das quais estão no mercado formal) representam 90% das empresas africanas e empregam cerca de 60% da força de trabalho.

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