Países "periféricos" não são os únicos a apertar cinto na União Europeia

Porto, 13 ago (Lusa) -- A Grécia soou o alarme, mas as medidas de austeridade têm sido uma constante ao longo dos últimos anos espalhadas um pouco por toda a Europa, no âmbito da crise da dívida soberana.

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O "apertar o cinto" do começo da década passada marcou o ritmo para o que se seguiria, em Portugal e, mais recentemente, em grande parte da União Europeia: Em 2009 nenhuma economia da zona euro cresceu, enquanto em 2010 só Eslováquia, Luxemburgo, Alemanha e Finlândia se expandiram acima dos três por cento, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em outubro do ano passado, o Reino Unido anunciou aquilo que o Financial Times classificou de "os cortes orçamentais mais drásticos de que há memória", numa poupança de um total de 81 mil milhões de libras (92,7 mil milhões de euros) até 2014, com reduções de 30 por cento na administração local e de 16 por cento nos orçamentos das forças policiais, algo que foi criticado na última semana no contexto dos motins nas ruas de várias cidades inglesas.

Enquanto Portugal, Irlanda e Grécia enfrentam calendários apertados estabelecidos em parceria com as instituições europeias e com o FMI após a definição dos pacotes de resgate alcançados para evitar situações de incumprimento, muitos outros países europeus se têm fixado na redução da despesa e ampliação da receita.

A começar pela Alemanha: com o objetivo de reduzir o défice, foram acordados cortes de 80 mil milhões de euros até 2014, com 30 dos quais a serem retirados dos orçamentos de apoio social.

"A França também está na austeridade", dizia em julho o líder da CGT francesa, Bernard Thibault, ao Le Monde, num país - segunda economia da zona euro - que sentiu profundas agitações com o anúncio da subida da idade da reforma de 60 para 62 anos e uma redução orçamental de 45 mil milhões de euros para os próximos três anos, referia a BBC.

A Itália, terceira maior economia da zona euro, país com a relação de dívida para PIB mais profunda da Europa (119 por cento), sob crescente atenção dos mercados, pretende arrecadar entre 20 a 30 mil milhões de euros para reduzir o défice e dar início a um programa abrangente de privatizações e de flexibilização da economia.

Entretanto, a Grécia, que apesar de ter sido alvo de dois programas de resgate por parte da União Europeia e do FMI continua a ver o seu PIB contrair-se, desta feita em 6,9 por cento no segundo trimestre de 2011, tem em marcha um plano que inclui a redução da despesa em 28 mil milhões de euros, 12 por cento do PIB, com a redução de funcionários públicos, fusão de instituições estatais, aumento de impostos e de Segurança Social, tudo até 2015.

A Irlanda, cujo orçamento para 2011 foi considerado pela BBC o "mais duro da sua história", cortou na despesa em seis mil milhões de euros e, entre muitas outras medidas, aplicou uma taxa sobre os rendimentos acima de um milhão.

Ao longo das últimas semanas, que assistiram a um crescer dos receios de contágio da crise às economias italianas e espanholas, vistas como "demasiado grandes para falir", diversos economistas, incluindo dois Nobel da Economia como Paul Krugman e Joseph Stiglitz, têm alertado para o perigo de a austeridade poder significar um constrangimento ao crescimento económico necessário para sair da crise.

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