Pânico chega à bolsa de Xangai, que cai mais de sete por cento

Pequim, 22 Jan (Lusa) - A crise nos mercados financeiros chegou hoje à China, que era até agora um oásis de crescimento no meio das quedas das bolsas mundiais, com Xangai a cair 7,22 por cento devido a receios de recessão nos Estados Unidos.

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As perdas de hoje, as piores da bolsa de Xangai desde 04 de Junho de 2007 são ainda mais dramáticas, uma vez que se seguem à quebra de cinco por cento na segunda-feira, com os accionistas a vender em pânico, receando que a crise dos créditos hipotecários nos Estados Unidos se espalhe às empresas chinesas.

"As pessoas temem que a crise agravada dos créditos hipotecários de alto risco possa provocar uma recessão económica dos Estados Unidos, o que reduziria a procura dos produtos chineses no mundo," disse Su Yanzhu, gestor de fundos na correctora China Southern, citado pela agência oficial chinesa Nova China.

A ajudar ao pânico dos investidores veio também a suspensão da cotação dos títulos do Banco da China, o terceiro maior banco comercial do país, após notícias de que o banco está prestes a anunciar grandes perdas resultantes de investimentos em veículos relacionados com o crédito hipotecário nos Estados Unidos.

O Banco da China tem cerca de 7,95 mil milhões de dólares investidos neste tipo de produtos, segundo a imprensa financeira de Hong Kong e as entidades reguladoras do sector bancário chinês já avisaram que as perdas se podem estender aos outros grandes bancos comerciais do país, nomeadamente ao Industrial and Commercial Bank of China e ao China Construction Bank.

O índice Shanghai Composite perdeu hoje 354,68 pontos, fechando nos 4.559,75 pontos com uma liquidez de 154,84 mil milhões de renminbi (14,77 mil milhões de euros).

A quebra de hoje na bolsa de Hong Kong teve também efeitos na praça de Xangai, uma vez que muitas empresas chinesas estão cotadas nos dois mercados.

Hong Kong sofreu hoje a sua pior perda de sempre - 8,65 por cento - ainda pior que os 5,5 por cento registados na segunda-feira.

A bolsa chinesa vivia até agora uma época de crescimento sem precedentes, ajudada em parte pela entrada de capitais de investidores domésticos e estrangeiros que se recusavam a aceitar que a bolha especulativa pudesse rebentar.

A bolsa chinesa subiu 130 por cento em 2006 e cresceu 97 por cento em 2007.

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