Papel "menos negativo da procura interna" explica contração mais leve da economia
Lisboa, 15 mai (Lusa) - A menor queda do que o esperado da economia portuguesa deve-se a um contributo menos negativo da procura interna, que terá feito abrandar o recuo que se tem verificado nas importações, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE).
"Esta evolução foi determinada pelo contributo menos negativo da procura interna", explica o INE na sua estimativa rápida hoje publicada, que dá conta de uma queda do PIB no primeiro trimestre do ano de 2,2 por cento face ao primeiro trimestre de 2011, e de 0,1 por cento face ao último trimestre do ano passado.
O INE explica ainda que, mesmo com uma ligeira aceleração das exportações de bens e serviços neste trimestre, "registou-se uma redução no contributo positivo da procura externa líquida, determinada pelo comportamento das importações de bens e serviços que apresentaram uma variação negativa significativamente menos acentuada que a observada no quarto trimestre de 2011".
A queda do PIB no primeiro trimestre do ano acaba por ser menor que o estimado na semana passada pela Comissão Europeia, nas suas previsões da primavera, porque a despesa interna dos portugueses estará a ser maior, algo que poderá estar a provocar também um aumento das importações.
Os dados do INE estimam que a queda do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre tenha sido na ordem dos 0,1 por cento, quando comparado com os últimos três meses de 2011, sendo que aqui a Comissão Europeia estava à espera de uma contração de 1 por cento do PIB, naquele que deveria ser o pior trimestre do ano (neste tipo de comparação).
Quando comparado com o mesmo período de 2011, o Produto Interno Bruto terá caído 2,2 por cento nos primeiros três meses de 2012, menos 1 ponto percentual que o esperado pela Comissão Europeia nas suas mais recentes estimativas, que apontava para uma queda de 3,2 por cento do PIB neste primeiro trimestre do ano.
Em termos homólogos, a Comissão Europeia aponta para que o segundo e o terceiro trimestre do ano sejam os mais negativos, onde a contração deve atingir os 3,3 por cento do PIB e apontam para uma média anual de -3,3 por cento para a evolução do produto em 2012.
Ainda assim, existe um efeito de base que minimiza os resultados apresentados neste trimestre.
O INE reviu a queda do PIB (em comparação homóloga) que se havia verificado no terceiro e quarto trimestre de 2011 em 0,1 pontos percentuais em cada um dos trimestres, que passam assim a apresentar uma queda do produto de 2 e 2,9 por cento, respetivamente.
Na comparação em cadeia (face ao trimestre anterior), apenas o segundo trimestre de 2011 sofreu uma revisão face ao último destaque, mas para melhor, apresentando uma melhoria de 0,1 pontos percentuais.