Economia
Paquistão. Manifestantes queimam contas de eletricidade inflacionadas
O Paquistão atingiu uma inflação de 27,4 por cento em agosto, fazendo disparar os preços, especialmente no setor energético. Por todo o país, a população saiu à rua para exigir preços mais baixos de eletricidade e a eliminação de impostos adicionais sobre serviços públicos.
Os protestos por todo o Paquistão levaram milhares de pessoas a queimarem as contas relativas ao combustível e eletricidade em sinal do descontentamento com o aumento dos preços.
Em Karachi, na área comercial e económica da cidade, todos os mercados e centros comerciais fecharam numa manifestação conjunta contra a subida dos custos.
O comerciante Fahad Ahmed explicou que “fechamos as nossas lojas em protesto para que a nossa mensagem chegue à classe dominante. Se eles não considerarem os nossos problemas, elaboraremos novas estratégias.
“Se pagamos 100 mil rúpias (cerca de 250 euros) de aluguer pela loja e tem que se pagar uma quantia igual nas contas de eletricidade, como podemos sobreviver?”, questionou.
Inflação para ficar
O Paquistão atravessa uma turbulência política e económica, com um pico na taxa de inflação a chegar aos 36,4 por cento. De acordo com dados divulgados pelo Gabinete de Estatísticas do Paquistão, em agosto a taxa de inflação anual do país atingiu 27,4 por cento.
O valor da rúpia paquistanesa desvalorizou significativamente em relação ao dólar, ultrapassando um limite histórico de 300 rúpias por dólar. Essa descida da taxa de câmbio levou a custos de importação mais elevados, o que por sua vez contribuiu para o aumento da inflação.
No ano passado, o país foi devastado pelas cheias que submergiram grandes áreas do território. A instabilidade política tambem não ajudou, com o primeiro-ministro, Imran Khan, a ser deposto em abril, após um voto de censura.
O Paquistão estava à beira do incumprimento antes de garantir um acordo vital com o Fundo Monetário Internacional. Como parte das condições para o pacote de resgate, o Paquistão foi obrigado a reduzir os subsídios que existiam para amortecer o impacto do aumento do custo de vida.
No ano passado, o país foi devastado pelas cheias que submergiram grandes áreas do território. A instabilidade política tambem não ajudou, com o primeiro-ministro, Imran Khan, a ser deposto em abril, após um voto de censura.
O Paquistão estava à beira do incumprimento antes de garantir um acordo vital com o Fundo Monetário Internacional. Como parte das condições para o pacote de resgate, o Paquistão foi obrigado a reduzir os subsídios que existiam para amortecer o impacto do aumento do custo de vida.
O custo da eletricidade duplicou nos últimos três meses, para cerca de 50 rúpias (12 cêntimos) por quilowatt. Os preços da gasolina subiram de 262 rúpias por litro em junho para 305 rúpias este mês.
Jamal Uddin, um lojista que participou numa manifestação em Dera Ghazi Khan, afirmou que ele e outros comerciantes mantinham os negócios fechados em protesto porque simplesmente já não lhes era possível alimentar as famílias.
Jamal Uddin, um lojista que participou numa manifestação em Dera Ghazi Khan, afirmou que ele e outros comerciantes mantinham os negócios fechados em protesto porque simplesmente já não lhes era possível alimentar as famílias.
Protestos a subir de tom
Na semana passada, os protestos tornaram-se violentos quando um trabalhador da empresa distribuidora de eletricidade, K-Electric (KE), foi atacado durante as manifestações.
Na província de Khyber Pakhtunkhwa, o departamento de energia solicitou proteção policial para o pessoal e instalações após ameaças de ataques por parte dos manifestantes, de acordo com a VoA.
“A fome pode trazer à tona o pior das pessoas”, observou Atiq Mir, presidente da All Karachi Tajir Ittehad, uma associação de comerciantes.
“A fome pode trazer à tona o pior das pessoas”, observou Atiq Mir, presidente da All Karachi Tajir Ittehad, uma associação de comerciantes.
Segundo o Gabinete de Estatísticas do Paquistão, o preço da farinha de trigo ultrapassou o dobro do valor comparando com agosto de 2022, desencadeando um aumento do pão. O açúcar também está mais caro.
O primeiro-ministro interino, Anwaarul Haq Kakar, já veio minimizar a importância dos protestos, classificando as queixas como “um problema”.
O ministro da Energia, Muhammad Ali, declarou que o Governo está a trabalhar para resolver a situação, mas muitas das questões actuais estão fora do seu controlo.
“A subida da taxa do dólar e o aumento dos preços globais do petróleo significaram que os produtos petrolíferos estão a custar muito mais ao Paquistão”, argumentou.
“A subida da taxa do dólar e o aumento dos preços globais do petróleo significaram que os produtos petrolíferos estão a custar muito mais ao Paquistão”, argumentou.