Parceria com grupo belga Artexis dá "escala mundial" à Exponor - AEP
Matosinhos, Porto, 24 set (Lusa) -- A Associação Empresarial de Portugal (AEP) considerou hoje que a parceria com a belga Artexis Easyfairs confere à Exponor a "escala mundial" atualmente indispensável no setor das feiras, representando "o caminho certo para a região e o país".
"Esta parceira vai trazer-nos `know how` e a integração numa rede internacional. Achamos que é o caminho certo, não só para a Exponor mas, acima de tudo, para a região e para o país, porque vai colocar a Exponor cada vez mais no centro deste negócio, que tem que ser feito à escala europeia e mundial", afirmou o presidente da AEP, Paulo Nunes de Almeida, em entrevista à agência Lusa.
Segundo esclareceu, o memorando de entendimento recentemente assinado entre a AEP e a Artexis prevendo a venda ao grupo belga de metade do capital social da Exponor Fiporto -- Feira Internacional do Porto (empresa detida integralmente pela associação e que opera sob a marca Exponor) traduz-se numa parceria "ao nível da gestão e do negócio".
Já o património da Exponor mantém-se propriedade do fundo imobiliário Nexponor, criado no âmbito do processo de reestruturação financeira da AEP e que permitiu sanear uma grande parte da dívida da associação.
"Estamos a falar de uma parceria ao nível da gestão e do negócio, que é o que interessava à Artexis, que não está aqui para fazer investimento imobiliário", sustentou Nunes de Almeida.
De acordo com o presidente da Artexis SMG, Hakan Gershagen, a parceria na gestão da Exponor foi o concretizar da intenção de investimento que o grupo já tinha desde "há sete ou oito anos".
"Viemos aqui a primeira vez no início do nosso desenvolvimento internacional, com a ideia de trazer algumas das nossas feiras para Portugal. Falamos com Lisboa [FIL] e com o Porto [Exponor], mas depois chegou [a crise em] 2008 e deixou de ser tão interessante pensar em expansão", recordou.
Assim, se na altura "ainda houve alguns encontros e negociações, mas ficou tudo congelado", agora "o gelo derreteu, o sol brilha e já se vê a luz ao fundo túnel", pelo que fez todo o sentido "regressar".
A escolha de Portugal é justificada pelo grupo belga pelo facto de na sua atividade -- organiza atualmente 125 eventos em 16 países - ter vindo a ser melhor sucedido em mercados "de menor dimensão".
"Não somos grandes na Alemanha ou na França e, se temos um bom nível de atividade no Reino Unido, demoramos muito tempo a atingi-lo. Temos sobretudo uma grande atividade na Bélgica, Holanda, Suécia, Suíça, Noruega, Dinamarca, Finlândia, onde organizamos exposições nacionais ou regionais, que são o nosso forte, por isso Portugal foi um mercado natural para nós", afirmou à Lusa Hakan Gershagen .
Quanto à opção por uma parceria com a Exponor em detrimento da FIL, em Lisboa, Gershagen explicou-a pelo facto de a Artexis organizar "muitas exposições de caráter industrial e técnico", onde o Porto está mais focado.
"Acho que é uma boa parceria: nós somos especialistas em feiras e a AEP representa a indústria e o mercado. A AEP acredita que podemos trazer profissionalismo e oportunidades de desenvolvimento e temos intenção de o fazer, acreditamos que podemos trazer mais marcas e mais exposições temáticas do nosso portfólio para o Porto", rematou.
Já a Exponor, disse Paulo Nunes de Almeida, "andava já algum tempo" em busca de um "parceiro internacional" que lhe permitisse dar um novo alcance ao negócio das feiras e congressos que, "seja em que país for, não pode viver de uma forma fechada ou isolada".
"O que queremos é que com esta parceria surjam novos eventos e, acima de tudo, seja dada cada vez mais visibilidade internacional à Exponor", afirmou o dirigente associativo.
Paralelamente, disse, abrem-se à Exponor novas oportunidades de internacionalização ao nível da organização de eventos, nomeadamente em países europeus, já que a empresa passa "a ter acesso a uma rede de que até aqui não dispunha".
"Já fazemos feiras no Brasil e já fizemos também várias em Angola, em parceira com a Feira Internacional de Luanda, mas na Europa não", disse Paulo Nunes de Almeida, admitindo: "O grande objetivo é colocarmo-nos nesse mapa não apenas ao nível de feiras, mas também ao nível de congressos".