Participantes da Acampada de Lisboa desmobilizam do Rossio

Participantes da Acampada de Lisboa desmobilizam do Rossio

Os participantes na Acampada de Lisboa começaram a desmobilizar pelas 23:50 de quarta-feira, permanecendo no Rossio ao início da madrugada de hoje cerca de 60 pessoas a conviver em pequenos grupos, sem tendas montadas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O maior dos grupos, com cerca de 20 pessoas, continuava a entoar pelas 00:35 vários cânticos de protesto.

A concentração de quarta-feira na Praça D. Pedro IV (Rossio) pelo direito à habitação, que em alguns momentos chegou a juntar mais de 300 pessoas, decorreu sem qualquer incidente, e a expectativa é de que seja retomado ao final da tarde de hoje, no mesmo local.

O fim da iniciativa foi acompanhado da chegada ao Rossio de vários veículos da PSP, que, pelas 00:35, se mantinham à distância.

Na assembleia popular de quarta-feira, foi aprovada a realização no próximo sábado de uma nova manifestação entre o Marquês de Pombal e o Rossio, seguida de uma concentração, que poderá incluir a montagem de tendas.

Tal como tem acontecido nos últimos dias, decorreram vários concertos, intercalados com palavras de ordem como "o povo unido jamais será vencido" e "o Montenegro vai cair, a acampada a resistir", numa referência direta ao primeiro-ministro, Luís Montenegro.

As acampadas pelo direito à habitação começaram em 10 de outubro, no Porto, e estenderam-se depois a Lisboa.

Na madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação, enquanto a PSP tem fundamentado a ordem para desmobilizar num decreto-lei de 1974 que refere que os protestos não podem ir além das 00:30.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais de domingo, que causaram dezenas de detidos e de feridos, tendo a provedora de Justiça solicitado também informações à PSP, com caráter de urgência.

Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção Presidente da República, António José Seguro.

O chefe de Estado apelou na terça-feira ao diálogo sobre a habitação "e nunca à violência", afirmando que não gostou das imagens que viu, mas aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre os manifestantes.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação dos imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

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