Passageiros com destino a Lisboa retidos em São Vicente, Cabo Verde
Os passageiros de um voo da Easyjet da ilha de São Vicente, Cabo Verde, para Lisboa estão desde terça-feira retidos no arquipélago, segundo um testemunho ouvido hoje pela Lusa.
"O voo tem sido sucessivamemte adiado", lamentou Miguel Figueiredo, um dos passageiros, que viajou acompanhado pela família.
Fonte diplomática disse à Lusa que o escritório consular em São Vicente está a acompanhar a situação junto dos passageiros.
As ligações aéreas em Cabo Verde têm sido afetadas por poeiras da África Ocidental (designadas como "bruma seca") que reduzem a visibilidade e que, na terça-feira, terão impedido a aterragem do avião que os transportaria de regresso a Portugal.
O voo foi remarcado para quarta-feira, às 10:00 (11:00 em Lisboa) e, apesar da menor visibilidade, outros aviões de ligações internacionais aterraram e descolaram do aeroporto Cesária Évora, em São Vicente, enquanto a aeronave da Easyjet foi desviada para a ilha do Sal -- depois de tentar aterrar, sem sucesso, segundo dados de tráfego aéreo.
O avião acabaria por voltar e aterrar na ilha de São Vicente, na quarta-feira, durante a tarde, "um momento aplaudido por todos", que já se preparavam para o regresso, na sala de embarque, descreveu Miguel Figueiredo.
No entanto, "a tripulação informou que já tinha atingido o limite de horas de voo" e a companhia ainda não adiantou mais informações sobre o regresso a Lisboa.
Hoje, um voo marcado para o período da manhã tem sido adiado.
Segundo o mesmo passageiro, a primeira noite já tinha sido "um problema, por dificuldades no alojamento" -- lotado com as celebrações de Carnaval, uma das atrações turísticas de São Vicente --, havendo mesmo quem tenha pernoitado na rua, referiu.
De acordo com Miguel Figueiredo, estão a ser afetadas mais de 100 pessoas, algumas com saúde mais frágil, há voos de ligação perdidos a partir de Lisboa e dificuldades financeiras.
"A Easyjet, se quisesse, não teria dificuldades em arranjar uma tripulação fresca. Uma única companhia pode dar-se ao luxo de fazer isto com cento e tal pessoas", questionou.
A Lusa procurou esclarecimentos junto da Easyjet, mas ainda não obteve informações.
A bruma seca, habitual nos primeiros meses do ano, tem perturbado esta semana o tráfego aéreo em Cabo Verde, afetando sobretudo os voos interilhas.
Segundo o Instituto de Meteorologia do arquipélago, prevê-se que as poeiras continuem a limitar a visibilidade até sexta-feira.