Lei laboral. UGT "reconhece evoluções" e espera que "não seja trabalho desperdiçado"

Lei laboral. UGT "reconhece evoluções" e espera que "não seja trabalho desperdiçado"

A central sindical condena a "intransigência" e constante "avanço e recuo" do Governo.

RTP /
António Cotrim - Lusa

No final da reunião da Comissão Permanente de Concertação Social, que decorreu na quinta-feira, a União Geral de Trabalhadores (UGT) emitiu uma declaração em que reconhece "as evoluções verificadas ao longo destes nove meses de negociações" e espera que "não seja um trabalho desperdiçado".

No entanto, a central sindical diz que "estamos ainda perante um texto legislativo em clara perda para os direitos dos trabalhadores" e acusa o Governo de ter minado a confiança durante as negociações com um "constante avanço e recuo" nas propostas, acusando-o de ter mudado de posicionamento.

"O constante avanço e recuo de propostas" do Governo de Luís Montenegro tornou "incerto o resultado e minou a confiança para o momento seguinte", escreve a UGT num documento entregue para ficar na ata da reunião.

A central sindical liderada por Mário Mourão afirma que as "opções de compromisso" apresentadas pela UGT "em matérias importantes, como a jornada contínua e o banco de horas individual, foram rejeitadas no quadro dos avanços e recuos de posição do Governo em muitas matérias".

A UGT "reafirmou a sua disponibilidade para o diálogo, crente na capacidade e no empenho de todos para realizar sempre um esforço de construção e consenso", mas diz ter assistido sem surpresa "às várias declarações proferidas por responsáveis governativos, remetendo para a UGT a responsabilidade de ceder para que o processo negocial avançasse".

No final da reunião, que terminou sem acordo, a ministra do Trabalho acusou a UGT de não ter cedido "em nenhum ponto", não permitindo "qualquer margem para chegar a pontos mais próximos em matérias concretas".

Por sua vez, a UGT condena a "intransigência" e "incapacidade do Governo para remover toda e qualquer das suas verdadeiras traves-mestras".

"A intransigência revelada, tanto pelo Governo como por empregadores que condicionaram avanços que o próprio Governo admitiria, foi igualmente notória pela reduzida adesão às muitas propostas da UGT", lê-se no comunicado da central sindical.


"Este foi um processo que gostaríamos que tivesse sido diferente", admite a UGT. "Ainda assim, estamos certos que as partes saberão evitar feridas graves para o futuro do diálogo social", acrescenta.

"A UGT espera que este não seja um trabalho desperdiçado", remata.

c/Lusa
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