Passos Coelho diz que proposta do BIC para aquisição do BPN era única que podia ser negociada
Lisboa, 30 mar (Lusa) - O primeiro-ministro insistiu hoje que o Governo apenas tinha como opções liquidar ou reprivatizar o BPN, sublinhando que a proposta do BIC foi a única possível de ser negociada.
"A opção que Governo tinha era: ou liquidava o BPN ou reprivatizava. Não havia uma segunda opção, a opção de adiar não nos estava facultada pelo memorando de entendimento", afirmou o chefe do executivo, Pedro Passos Coelho, durante o debate quinzenal no Parlamento.
Dirigindo-se diretamente ao líder do BE, Francisco Louçã, que momentos antes tinha levado ao debate a reprivatização do BPN, considerando que a venda do banco ao BIC foi de "favorecimento" e indicia "corrupção", Passos Coelho disse que essa não era uma "forma correta, nem séria" de colocar o problema.
"A opção que nós tínhamos era ou liquidar o banco ou vendê-lo, reprivatizá-lo nas condições resultantes do concurso que se fez. Esse concurso, que vinha já preparado do passado e que nós mantivemos mandatando a Caixa Geral de Depósitos para fazer a negociação depois e a pré-seleção dos candidatos, acabou por reverter pela única proposta que havia de aquisição do banco", explicou, referindo-se à proposta apresentada pelo BIC.
Ainda segundo o primeiro-ministro, "havia uma segunda proposta que não era de aquisição do banco e uma terceira que não mereceu a credibilidade de nenhum dos agentes envolvidos".
Ou seja, concluiu, "ou o Estado aceitava negociar com o BIC esta proposta ou liquidava o banco".
Confessando estar "muito descansado" com a decisão que tomou, Passos Coelho recordou que a própria comissão europeia já admitiu que "a decisão pela reprivatização custa menos aos contribuintes do que a liquidação do banco".
O primeiro-ministro voltou ainda a lamentar a forma como o anterior Governo adiou uma decisão sobre o BPN, considerando que esse "empurrar" teve como única razão "impedir o reconhecimento em matéria de contas nacionais do custo que teria, nomeadamente para o défice público".
"Isso acabou por custar muito mais dinheiro aos contribuintes do que teria custado do que tivesse havido uma ação diligente do anterior Governo", reforçou.