Patrão da Jerónimo Martins quer o fim do "sorvedouro de impostos"
O próximo Orçamento do Estado é “a última oportunidade” para pôr termo ao “papel do Estado sorvedouro de impostos” e “combater com seriedade e determinação o problema da despesa pública”, considera o presidente da Jerónimo Martins. Alexandre Soares dos Santos defende reduções do IRS e do IRC, um aumento do IVA e a criação de condições para um mercado sem monopólios que “só prejudicam os cidadãos e as empresas”.
Para o presidente do grupo português de distribuição, o próximo Orçamento é mesmo a "última oportunidade" para "combater com seriedade e determinação o problema da despesa pública, designadamente por via da diminuição do número de ministros, secretários de Estado, assessores e adjuntos, dos múltiplos institutos de que se não conhecem o propósito ou a razão de ser".
"Um ano passou e nada aconteceu", reforça Soares dos Santos, para depois concluir que as políticas de investimento público seguidas pelo Governo de José Sócrates não obedecem "a qualquer estratégia de desenvolvimento, nem a estudos feitos por entidades isentas e competentes".
"Demagogia política é cada vez maior"
De forma a inverter o actual quadro, o presidente da Jerónimo Martins defende a redução da carga fiscal em sede de IRS e no IRC, um agravamento do IVA e mais garantias de um mercado competitivo, acabando-se com monopólios que "só prejudicam os cidadãos e as empresas", a exemplo da EDP e do Gás Natural.
A somar a uma "demagogia política cada vez maior", Alexandre Soares dos Santos lista, enquanto obstáculos à recuperação do país, os "impostos" que "atingem limites intoleráveis" e um "investimento privado reduzido" porque "não há confiança". "Em breve, teremos o princípio do desinvestimento", vaticina.
"Pouco ou nada foi feito para se melhorar as finanças públicas. Apenas se aumentaram os impostos, ao mesmo tempo que se agudizou a dívida nacional para níveis incomportáveis, podendo não estar longe o dia em que não haverá dinheiro nos cofres", insiste o empresário.
FMI "já deve ter reservado bilhetes"
Sem poupar nas críticas à classe política do país, Soares dos Santos acusa os partidos de estarem "interessados apenas nas próximas eleições". O Fundo Monetário Internacional (FMI), ironiza, "já deve ter reservado os bilhetes de avião para Lisboa".
"Trabalhar mais horas e mais a sério, quer no Estado quer na iniciativa privada", é parte da receita prescrita pelo presidente da Jerónimo Martins, que quer ver facilitada "a redução do custo da hora de trabalho, tornando-a mais competitiva". Outra das frentes enunciadas por Soares dos Santos passa por "atacar a fraude e a corrupção que se propagam no campo do desemprego, das autarquias, do Rendimento Social de Inserção".
"Urge reduzir o absentismo, altíssimo em Portugal, e perceber que o sistema nacional de saúde gratuito faz parte do passado, pois o envelhecimento da população e os desenvolvimentos tecnológicos na área da saúde impõem investimentos brutais que não permitem a prestação de um serviço gratuito e competente", propugna ainda o empresário.