PCP sem expectativas acerca da proposta do Governo apela a "política de ferro e fogo"
O secretário-geral do PCP afirmou hoje ter "expectativa zero" acerca da proposta de Orçamento do Estado para 2027 do Governo e apelou a uma "política de ferro e fogo" contra o aumento do custo de vida.
À margem de uma visita à feira da Luz, em Lisboa, Paulo Raimundo foi questionado acerca das reuniões do Governo com os partidos na próxima semana, nas quais serão apresentadas as linhas gerais da proposta orçamental para o ano de 2027.
"A expectativa sobre o Orçamento do Estado é zero, praticamente", respondeu Paulo Raimundo, que não quis antecipar já um voto contra uma proposta que não conhece, mas também avisou que "não vale a pena estar a criar expetativas onde elas não existem".
O secretário-geral comunista avisou que se o Orçamento do Estado "for mais um instrumento para dar andamento à política que está em curso", o partido não o poderá apoiar.
"Não podemos apoiar uma política que seja contra o Serviço Nacional de Saúde. Não podemos apoiar uma política que seja pelo aumento das rendas, pelo aumento do custo de vida, pelo aumento da habitação, pelo aumento dos preços alimentares, pelo aumento dos combustíveis. Connosco não. E até me surpreendo alguns que estão disponíveis para apoiar isso", realçou.
O secretário-geral comunista apelou a uma "política de coragem de ferro e fogo" para combater o aumento do custo de vida nas suas diversas vertentes, desde a crise na habitação, aos combustíveis ou à alimentação, insistindo na necessidade de taxar lucros extraordinários.
Considerando que é necessária uma "opção de rutura", o deputado comunista defendeu que é "cada vez é mais evidente que essa opção não vem nem do Governo, nem do PS, - que quer manter um bocado tudo na mesma, talvez disfarçando o ritmo, - e muito menos do Chega, que quer acelerar o problema que já está colocado no nosso país".
Paulo Raimundo comentou ainda o facto de PSD e CDS-PP terem entregado novamente um projeto para restringir o acesso ao Serviço Nacional de Saúde por cidadãos estrangeiros não residentes em Portugal, iniciativa aprovada com o Chega na passada legislatura, mas que caducou devido a eleições.
O comunista afirmou que o Governo "está a tentar desviar a atenção da questão fundamental", que considerou ser a falta de profissionais de saúde e a falta de investimento no SNS.
Paulo Raimundo apontou ainda para os "26 milhões de turistas que visitam" Portugal: "Também é preciso olhar para essa dimensão do problema que afeta o nosso Serviço Nacional de Saúde", acrescentou.
Nesta visita à feira, na qual contactou com alguns dos comerciantes, Paulo Raimundo foi acompanhado pelo vereador do PCP na Câmara Municipal de Lisboa, João Ferreira, e pela presidente da junta de freguesia de Carnide, Susana Cruz, eleita pela coligação PCP/PEV.