Peças soltas de motor partiram janela no voo da Ryanair em que passageiro foi sugado
A janela partida num voo da Ryanair em julho, que fez com que a cabeça de um passageiro fosse sugada para fora do avião, foi causada por peças partidas do motor do Boeing 737-800, segundo um relatório preliminar.
De acordo com o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) norte-americano, após a partida do voo da cidade de Salónica, no norte da Grécia, a 10 de julho, uma pá do ventilador do motor soltou-se, lançando fragmentos através da fuselagem.
Os investigadores encontraram restos de aves no interior do motor, o que sugere que o avião possa ter colidido com estas durante a descolagem.
O homem de 61 anos que foi parcialmente sugado para fora do avião sofreu lesões no pescoço e nos ombros, bem como queimaduras por atrito.
Os comissários de bordo disseram aos investigadores que ouviram e sentiram uma vibração forte e contínua e viram fumo no interior da cabina, antes de as máscaras de oxigénio serem libertadas.
Um deles reparou que alguns passageiros se tinham levantado e pediam ajuda, porque o homem que estava sentado na fila 11 estava parcialmente preso numa janela danificada. Os outros passageiros conseguiram puxá-lo de volta para o interior da cabine.
O ferido foi transferido para a fila 12, onde um passageiro médico prestou-lhe assistência. Outros passageiros receberam uma caixa metálica dos comissários de bordo, que utilizaram para tentar tapar a janela partida, até que o avião pudesse aterrar.
Uma série de vídeos curtos gravados no interior do avião e partilhados pela Rádio Salónica mostram passageiros a usar máscaras de oxigénio após a cabine ter perdido pressão. Outro vídeo mostra a janela arrancada, com um homem sentado nas proximidades a usar uma máscara de oxigénio. Um terceiro vídeo, aparentemente filmado após a aterragem da aeronave, mostra equipas de primeiros socorros a trabalhar no corredor.
No mês passado, a Ryanair afirmou num comunicado que o voo "regressou a Salónica pouco depois da descolagem, quando uma janela de passageiro se soltou durante o voo".
As regras internacionais de aviação permitem que a Autoridade Helénica de Investigação de Segurança Aérea e Ferroviária transfira as investigações para o NTSB, o que aconteceu neste caso, com a participação da Grécia.
No mês passado, o NTSB repreendeu o CEO da Ryanair, Michael O`Leary, após este ter dito aos investidores que a investigação se centrava em danos causados por objetos estranhos e não na idade do avião de fabrico norte-americano ou no histórico de manutenção. O NTSB afirmou que os investigadores não tinham descartado nenhuma hipótese e que O`Leary não estava autorizado a discutir o assunto.
Os registos de manutenção mostram que as pás do ventilador do motor direito, que sofreu a avaria, tinham sido submetidas a inspeções por ultrassons em maio de 2026 e novembro de 2025, sem que fossem detetados danos.
No entanto, a NTSB referiu que,no último ano, as tripulações de voo tinham comunicado quatro suspeitas de colisões com aves no mesmo motor. Foram encontrados restos de aves após dois desses supostos impactos.
Jeff Guzzetti, um antigo investigador da NTSB e da FAA que analisou o relatório preliminar, disse à Associated Press que a manutenção parece ter sido realizada nos intervalos exigidos.
No entanto, os investigadores irão examinar como é que essas inspeções foram realizadas e se os quatro supostos impactos de aves poderão ter contribuído para danos pré-existentes no motor.