Perfil de Ulrich, o banqueiro com personalidade forte
O presidente da comissão executiva do BPI, Fernando Ulrich, nasceu em Lisboa em 1952, no seio de uma família tradicionalmente ligada à banca e desde muito cedo decidiu que também ele seguiria esse rumo.
A família Ulrich, originária de Hamburgo, na Alemanha, chegou a Portugal no século XVIII, a pedido do Marquês de Pombal, para ajudar na reconstrução de Lisboa, depois do terramoto de 1755.
O avô paterno de Ulrich foi administrador do Banco de Portugal, mas o historial da família desde sempre esteve ligado à banca.
Em 1972, ainda aluno do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), onde foi colega de Eduardo Ferro Rodrigues, António Perez Metelo e Félix Ribeiro, integrou a redacção do semanário Expresso, onde assinou a página da bolsa, sob o pseudónimo Vicente Marques.
De 1881 a 1983, foi chefe do gabinete do ministro das Finanças e do Plano, nos governos de Francisco Pinto Balsemão.
Em 1983, com 31 anos, ingressa na Sociedade Portuguesa de Investimentos (SPI), que viria a dar origem ao BPI, a convite de Artur Santos Silva, e em Abril de 2004, 22 anos depois de ter entrado no BPI, assume a presidência executiva da instituição financeira.
Dono de uma personalidade forte, Ulrich é conhecido pelo seu carácter combativo, nomeadamente pelos confrontos que protagonizou com Ricardo Salgado (BES) e com Paulo Teixeira Pinto (BCP).
Com Ricardo Salgado desentendeu-se quando este anunciou que numa possível fusão BPI/BES o BES assumiria uma posição predominante, enquanto com Paulo Teixeira Pinto trocou acusações, no decorrer da OPA lançada pelo BCP sobre o BPI, que viria a falhar.
Caracterizado por Marcelo Rebelo de Sousa como "absolutamente politicamente incorrecto", Fernando Ulrich provocou polémica ao propor mudanças radicais em matéria laboral, nomeadamente a liberalização total dos despedimentos colectivos e individuais e o corte nos vencimentos dos assalariados.
Casado, pai de três filhos, simpatizante do PSD e sportinguista, Fernando Ulrich poderá ser o próximo presidente executivo do Millennium BPI, o maior banco português, se se concretizar a fusão entre BCP e BPI.