Perspetiva económica de Timor-Leste favorável com crescimento de 5% em 2026
A perspetiva económica de Timor-Leste permanece favorável com um crescimento do Produto Interno Bruto não petrolífero em 5% em 2026, segundo a revisão económica de médio prazo do Banco Central de Timor-Leste (BCTL).
"Prevê-se que o crescimento real do PIB não petrolífero aumente de 4,5% em 2025 para 5% em 2026, apoiado pela despesa pública, pelo consumo das famílias e por uma recuperação gradual do investimento privado", na revisão, divulgada quarta-feira.
O documento refere que o investimento público em infraestruturas continua a ser uma importante fonte de procura interna, mas a "limitada capacidade produtiva nacional e as restrições de absorção continuam a limitar a resposta da oferta".
"A elevada dependência das importações reduz ainda mais o valor acrescentado nacional gerado pela expansão da procura e contribui para desequilíbrios externos persistentes", salienta o banco central timorense.
Relativamente à inflação, as perspetivas indicam que deverá ser de 1% em 2026, mas poderá vir aumentar devido a riscos de subida dos custos do transporte e da energia.
"Dada a elevada dependência das importações e a dolarização integral da economia, choques nos preços externos podem ser transmitidos aos preços internos, reforçando a importância da manutenção da estabilidade de preços e do fortalecimento da capacidade produtiva nacional", pode ler-se no documento.
O documento destaca que a política fiscal continua a apoiar a atividade económica, mas que o fim da produção do Bayu-Undan alterou "significativamente o contexto fiscal e externo".
"A redução das receitas provenientes do petróleo aumenta a urgência de reforçar a mobilização das receitas internas, melhorar a eficiência da despesa pública e manter uma gestão prudente dos recursos do Fundo Petrolífero", adverte o BCTL, que recomenda uma maior priorização e eficiência do investimento público.
A revisão do BCTL destaca também que o défice da conta-corrente aumentou para 374,1 milhões de dólares (322,8 milhões de euros) no primeiro semestre do ano, comparado com o défice de 309 milhões de dólares (266,7 milhões de euros) registados no mesmo período de 2025.
"As importações mantiveram-se elevadas, enquanto as exportações não petrolíferas, apesar do forte crescimento, continuaram reduzidas em relação à procura por importações", explica o BCTL.
Segundo o BCTL, as perspetivas a curto prazo continuam sustentadas pela procura interna e pela baixa inflação, mas as vulnerabilidades permanecem significativas.
"A elevada dependência das importações, a limitada capacidade produtiva, a fraca diversificação das exportações, a diminuição das receitas petrolíferas e a reduzida intermediação financeira limitam a capacidade de ajustamento da economia", pode ler-se na revisão.
No documento, o BCTL faz um conjunto de sugestões, nomeadamente uma maior prudência fiscal, reformas que aumentem a produtividade, mobilização das receitas internas, diversificação das exportações e aprofundamento da intermediação financeira.
"Estas reformas são essenciais para reforçar a resiliência externa, apoiar o crescimento liderado pelo setor privado e preservar a riqueza para as gerações futuras", acrescenta o banco central timorense.