Perturbação no tráfego marítimo afectaria dramaticamente economia mundial - fonte da Marinha
Lisboa, 15 Mai (Lusa) - Uma redução importante do transporte marítimo afectaria a economia mundial "de forma dramática e, em poucas semanas, seria sentida pelas pessoas", afirmou hoje O vice-almirante Lopo Cajarabille, presidente do Grupo de Estudo e Reflexão da Marinha.
Isto, "devido à escassez dos produtos", à subsequente "desorganização da produção e à subida exponencial dos preços", adiantou este responsável durante a Conferência "Portugal e O Mar", na Assembleia da República.
Falando sobre Paz e Segurança nos Oceanos, Lopo Cajarabille, salientou o facto de "mais de 120 mil navios mercantes" transportarem por ano 170 milhões de contentores e cinco mil milhões de toneladas de carga para dez mil destinos em todo o mundo e cujo valor é superior a quatro mil milhões de dólares.
Segundo o especialista, 90 por cento do comércio mundial realiza-se por via marítima, estimando-se que, até 2020, duplique a quantidade de bens transportados". Daí, chamar a atenção para que "qualquer perturbação significativa na normal fluidez do tráfego marítimo teria consequências catastróficas a nível mundial"
"Provocar-se-ia uma verdadeira tragédia, sem alternativas viáveis, a não ser a reposição da nomalidade do mar", acrescentou, sem deixar de apontar, que a "simples percepção de alguma ameaça relevante implicará aumentos nos seguros e nas medidada de segurança portuária e marítima".
De todo o tráfego marítimo mundial, 95 por cento afunila-se em nove pontos de grande convergência de navegação, um deles bem perto da costa portuguesa - Gibraltar - e, outro mais afastado - Canal da Mancha.
Para Lopo Carajabille, há "poucas possibilidades" de ocorrer "uma guerra no mar, em termos clássicos". Contudo, a crescente sofisticação das ameaças exige que se disponha de meios tão capazes como os que seriam empregues num cenário de guerra naval" e no caso, "por exemplo, de serem lesadas as rotas dos produtos petrolíferos ou alguns dos (nove) pontos focais, os efeitos a nível internacional poderão ser muito perniciosos".
O conferencista chamou atenção para as chamadas novas ameaças, referindo nomeadamente que "apenas 10 por cento dos episódios de pirataria são objecto de comunicação, embora se registem milhares de casos por ano", comentou.
Segundo o responsável pelo Grupo de Estudo e Reflexão Estratégia da Marinha, instância ligada à segurança o assunto da pirataria "tem um grau de importância maior do que a maior parte das pessoas lhe atribui, uma vez que a pirataria ataca as cargas vailosas, apoderando-se dos próprios navios, alterando a cor e a bandeira, e conseguindo registos provisórios.
"Esses navios são depois usados para vigarizar outros agentes de transporte, desviando cargas e reiniciando o processo de adulteração de designativos e meios de identificação, tornando nos chamados navios -fantasmas", acrescentou.
Para obviar a estas ameaças, outras questões como a imigraçãoo ilegal, o tráfego de pessoas, armas e estupefacientes, e para potenciar os recursos do mar, a Comisão Europeia pretende estabelecer uma política marítima europeia integrada, tendo para tal criado em Junho de 2006 o Livro Verde.
Segundo disse na sua intervenção, o comissário europeu para as Pescas e Assuntos do Mar, Joe Borg, o documento teve por base um grande debate junto de várias entidades ligadas à economia do sector (organizações não-governamentais, sindicatos, marinheiros, comunidade científica) sobre "qual a política coveniente".
O comissário realçou ainda o papel da Presidência Portuguesa, para a elaboração desta política integrada europeia para o mar, destacando as duas instâncias sediadas em Lisboa, como a Agência Euopeia de Segurança Marítima e o Observatório Permanente para a Droga, conforme referiu o comissário europeu pasa as Pescas e Assuntos do Mar, Joe Borg.
Miranda Calha, presidente da Comisão partalmentar de Defesa Nacional, referiu-se igualmente ao Livro Verde como o documento em discusão sobre a política europeia para o mar, que se "viria a consolidar" durante a Presidência Portuguesa, salientando ainda a "longa costa marítima" de Portugal e a vasta Zona Económica Exclusiva.
Os trabalhos inetgraram-se nas comemorações do Dia Europeu Marítimo, terça-feira, em que 500 crianças, serão convidadas a estar no Instituto das Pescas para ouvirem falar sobre as profissões ligadas ao mar.
AV.