Peru descarta "categoricamente" privatização total da petrolífera Petroperú
A Agência de Promoção do Investimento Privado do Peru (Proinversión) descartou "categoricamente" na quarta-feira que esteja prevista uma privatização total da petrolífera Petroperú e afirmou que todos os seus ativos estratégicos continuarão nas mãos do Estado peruano.
Durante uma apresentação perante a Comissão de Energia e Minas do Congresso, o diretor do projeto de reorganização da Petroperú, Ángel Delgado, acrescentou que "o que se pretende é que o setor privado, em conjunto com a petrolífera, faça a gestão dos ativos" da empresa.
O responsável detalhou os avanços do mandato que a Proinversión recebeu em 2025 para a reorganização patrimonial da empresa e destacou que se pretende estruturar "uma solução integral" com injeção de capital internacional, eficiência operacional e modernização organizacional.
Delgado referiu que o objetivo é incorporar o conhecimento e a eficiência logística do setor privado através de contratos de exploração e gestão que garantam a viabilidade do negócio, ao abrigo do modelo de blocos patrimoniais.
A Proinversión acrescentou que, nesse sentido, está a avançar na estruturação financeira e na aprovação dos planos de promoção dos principais blocos patrimoniais, bem como na monetização de ativos imobiliários não estratégicos da empresa.
Por seu lado, o presidente do conselho de administração da Petroperú, Oliver Stark, afirmou que um dos principais marcos do plano de trabalho consiste em dotar a empresa de liquidez através de uma linha de crédito de até 2.000 milhões de dólares (1,77 mil milhões de euros) proveniente do setor bancário internacional.
Esta operação inclui um crédito-ponte de 475 milhões de dólares (419 milhões de euros) que será canalizado através de uma empresa subsidiária no âmbito de uma "conta separada" ou fundo fiduciário, sob a supervisão técnica da Proinversión, para garantir que o capital seja destinado exclusivamente a necessidades operacionais.
A Petroperú recebeu, no passado dia 08 de setembro, esse primeiro desembolso de 475 milhões de dólares da linha de crédito aprovada para manter a empresa a funcionar, neste caso com recursos provenientes dos bancos norte-americanos JP Morgan e Citibank.
A médio prazo, a estratégia visa que a Petroperú opere com maior eficiência, aproveite melhor os ativos e reduza a dependência do apoio estatal até se tornar financeiramente sustentável em 2032, conforme indicado pela Proinversión na altura.
A crise financeira na petrolífera estatal agravou-se com a modernização da refinaria de Talara, num valor superior a 5.500 milhões de dólares (4,86 mil milhões de euros), o que levou a registar, no final de 2025, mais de 600 milhões de dólares (530 milhões de euros) de prejuízos acumulados, que ultrapassam em mais de metade o seu património líquido.