Pesca industrial satisfeita com aumento de capturas, mas lamenta reduções em várias espécies
A Associação dos Armadores das Pescas Industriais (ADAPI) manifestou-se hoje satisfeita com o aumento das possibilidades de pesca para 2023, mas lamentou as reduções no atum-patudo, lagostim e palmeta.
Em comunicado, a ADAPI salientou como ponto positivo o facto de Portugal "obter um aumento de cerca de 18,2% nas suas possibilidades de pesca" com as decisões hoje do Conselho das Pescas da União Europeia.
Feitas as contas das quotas estabelecidas hoje e as negociadas antes com a Noruega e Reino Unido, "Portugal entra em 2023 com um ligeiro aumento das suas possibilidades de pesca em 17.534 toneladas, o equivalente a um aumento de 10,6%.
Para esse aumento contribuiu o carapau, com um aumento da quota nacional em 15.365 toneladas (15%), ficando com um máximo de capturas de 117.126 toneladas.
Contudo, alertou a ADAPI, "as capturas nacionais desta espécie rondam as 20.000 toneladas/ano, pelo que a quota não se traduz em real benefício para o setor".
A ADAPI mostrou-se também satisfeita com os aumentos alcançados na pescada, com mais 2.382 toneladas (104%), bacalhau capturado ao largo do Canadá, com mais 410 toneladas (52%), no areeiro, com mais 25 toneladas (34%), ou no tamboril, com mais 74 toneladas (12%).
"São quantidades ainda insuficientes para as necessidades do país, mas representam prova da melhoria do estado dos `stocks`, possibilitada pelos sacrifícios da frota", defendeu a associação.
A ADAPI "lamentou" as "descidas significativas" no atum-patudo, com menos 824 toneladas (29%), no lagostim, com menos 43 toneladas (16%) ou na palmeta, com menos 82 toneladas (5%).
Em alguns casos, como o do lagostim, os industriais da pesca atribuem as reduções à "falta de dados científicos, que, por sua vez, levam os órgãos científicos a recomendar valores de capturas mais baixos para compensar a incerteza sobre os dados reais".
A ADAPI pediu mudanças na Política Comum das Pescas e nas políticas da Comissão Europeia, para não sacrificar a produção com medidas de sustentabilidade dos recursos, quando a União Europeia continua a ser o maior importador de pescado do mundo.
Os ministros das Pescas da UE chegaram hoje a acordo sobre as possibilidades de pesca para 2023, no Atlântico e no Mediterrâneo, e até 2024 para as espécies de águas profundas, em águas geridas pelo bloco.
No que respeita à pescada, após os ministros da tutela da UE terem chegado hoje a um acordo, os totais admissíveis de capturas (TAC) para Portugal aumentam 103%, passando a quota para as 4.645 toneladas, com o tamboril a crescer 12% para as 689 toneladas, o areeiro 33%, para as 92 toneladas e o carapau 15%, para as 117.126 toneladas.
Depois de dois dias de negociações, que incluíram uma direta de quase 24 horas, o Conselho da União Europeia conseguiu fechar um acordo sobre os totais admissíveis de captura e as respetivas partições para 2023, e que se estende a 2024 para as espécies de águas profundas, como o goraz e o peixe-espada.
Falta ainda conseguir um acordo com o Reino Unido e a Noruega para `stocks` partilhados.