Peso das mulheres no total dos desempregados aumenta para 53,5% em 2025
A percentagem de mulheres no total de desempregados subiu para 53,5% em 2025 face aos 52,6% no ano anterior, segundo um estudo da CGTP, realizado no âmbito âmbito da semana da igualdade.
Com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a CGTP assinala, que, no ano passado "havia 180,2 mil mulheres desempregadas, tendo este número diminuído 2,4% face a 2024".
Contudo, de acordo com a análise da central sindical, o desemprego "desceu mais entre os homens", pelo que "as mulheres viram o seu peso no total dos desempregados aumentar", tendo sido de 53,5% em 2025.
"A taxa de desemprego baixou de 6,8% para 6,5% entre as mulheres, mas continua a ser superior à dos homens (5,5%)", indica ainda um estudo elaborado pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP, para assinalar a semana da igualdade e o Dia Internacional da Mulher.
Já a taxa de subutilização do trabalho nas mulheres era de 11,6%, também superior à dos homens (8,9%).
E "apesar do desemprego de longa duração ter diminuído face a 2024, mais de um terço das mulheres desempregadas (37%) encontravam-se nessa situação em 2025, tendo-se reforçado o seu peso no total de desempregados de longa duração, que é agora de 53%", acrescenta a análise da central sindical liderada por Tiago Oliveira.
Para a CGTP, a definição oficial de desemprego é "demasiado redutora para captar todo fenómeno do desemprego e do subemprego no nosso país".
Refere, por isso, que "a cobertura das prestações de desemprego é muito baixa, bem como o valor das prestações".
Segundo o estudo da CGTP, "apenas 44% das mulheres tem acesso a proteção social desemprego tendo em conta o conceito mais amplo de desemprego (inclui também as desempregadas desencorajadas e as inativas não disponíveis)", sendo que o valor médio destas prestações "para o conjunto de homens e mulheres foi de apenas de 664 euros mensais, ou seja, abaixo do limiar da pobreza, cujo valor é de 723 euros".
Apesar de sublinhar que não dispõe de dados atualizados sobre os valores das prestações por sexo, a CGTP salienta, que, perante "o nível inferior de salários auferido pelas trabalhadoras, a média das suas prestações ainda estará mais abaixo do limiar de pobreza".
Por outro lado, a central sindical assinala ainda que mesmo após as transferências sociais a taxa de pobreza entre as mulheres desempregadas era de 42%, estimando que poderia aumentar para 64% na ausência dessas transferências.
Este é o quinto e último estudo divulgado pela CGTP sobre a situação atual da mulher no trabalho, no âmbito da semana da igualdade, que visam diversas áreas que vão desde os salários, à precariedade ou ao desemprego.
A CGTP realiza a semana da igualdade entre 02 e 08 de março com o lema "A Igualdade que Abril abriu. Reforçar Direitos. Cumprir a Constituição", com iniciativas no país.
O Dia Internacional da Mulher comemora-se em 08 de março.