Petróleo Brent sobe 6,3% e analistas esperam manutenção da tendência
O barril de petróleo Brent subiu hoje 6,3% em Londres antes da divulgação da proposta de três países da OPEP e da Rússia de congelarem a produção nos níveis de janeiro para travar a queda dos preços.
O barril de petróleo Brent, para entrega em março, abriu hoje em alta, a cotar-se a 34,81 dólares no ICE de Londres, mais 4,26% do que no encerramento da sessão anterior, e durante a sessão atingiu 35,5 dólares, mais 6,3% do que na segunda-feira, devido a rumores de que alguns produtores planeavam em Doha, Qatar, adotar medidas para travar a queda dos preços.
Posteriormente, o Brent moderou a subida, mas os analistas, segundo a Efe, esperam que nas próximas horas recupere a tendência de alta devido ao anúncio feito pelo Qatar.
Os governos da Arábia Saudita, Rússia, Venezuela e Qatar acordaram hoje congelar a produção de petróleo nos níveis de janeiro, informou o ministro da Energia e Indústria do Qatar e presidente de turno da OPEP.
"Com o objetivo de estabilizar o mercado do petróleo acordámos congelar a produção nos níveis de janeiro", sublinhou o presidente de turno da OPEP (Organização de Países Exportadores de Petróleo), Mohamed Saleh al Sada, durante uma conferência de imprensa em Doha.
Al Sada adiantou que espera que os outros países produtores de petróleo, sejam ou não membros da OPEP, apliquem a mesma iniciativa.
Com este objetivo, o responsável do Qatar anunciou que liderará proximamente uma ronda de contactos com outros países como o Irão e o Iraque.
Na conferência de imprensa também estiveram presentes o ministro do Petróleo e Recursos Minerais saudita, Ali al Nuaimi, o titular da Energia russo, Alexander Novak, e o ministro do Petróleo venezuelano, Eulogio del Pino.
Como resposta imediata ao anúncio "espera-se que os mercados respondam com tendência de alta", afirmou o diretor da rede de investigação de energia global da Warwick Business School, David Elmes, citado pela Efe.
Contudo, Elmes advertiu que a subida pode não manter-se a longo prazo, defendendo que "continuará a haver excesso de oferta e levará tempo para que sejam consumidas as reservas que os diferentes países têm".
A iniciativa dos quatro produtores "é um interessante primeiro passo para pôr um limite à produção", afirmou Elmes, mas recordou que o nível de janeiro "ainda é demasiado elevado".
Depois de mais de ano e meio de queda dos preços do petróleo - que desvalorizou-se cerca de 75% devido ao excesso de oferta - os países produtores começam a tomar medidas perante a própria pressão que a depreciação provoca nas suas receitas.