Petróleo e euro atingem novos máximos históricos

O petróleo atingiu esta quinta-feira novos valores sem precedentes nos mercados internacionais, atingindo a fasquia dos 111 dólares em Nova Iorque e ultrapassando os 107 dólares em Londres. Os preços estão a ser fortemente pressionados pela desvalorização do dólar.

Carlos Santos Neves, RTP /
O dia ficou também marcado pela instabilidade nos mercados accionistas da Europa Paul Buck, EPA

Os preços do ouro negro seguem de recorde em recorde desde o início da semana, num trajecto inverso àquele que é trilhado pela moeda norte-americana, em crescente desvalorização face ao euro.

Depois de ter pulverizado, nos últimos dias, sucessivos máximos históricos (107, 108, 109 e 110 dólares), o barril de light sweet crude para entrega em Abril ascendeu esta quinta-feira, no Nymex (New York Mercantile Exchange), aos 111 dólares. Em Londres, o barril de Brent do Mar do Norte fixou novo recorde nos 107,88 dólares.

Às 17h00, o barril de Brent fixava-se nos 106,79 dólares, em alta de 52 cêntimos face ao valor registado no encerramento da sessão de quinta-feira.

No encerramento do Nymex, o barril de crude valia 110,33 dólares.

Bolsas europeias em queda

O dia fica também marcado pela forte instabilidade nos mercados de acções, com destaque para a Europa. As desvalorizações dos principais índices europeus oscilaram entre os 0,44 por cento do mercado madrileno e os 1,73 por cento em Milão.

O índice de referência Euronext 100 perdeu 1,38 por cento, para os 825,94 pontos, enquanto o DJ Stoxx 50 desvalorizou 1,33 por cento para os 3.056 pontos.

A bolsa portuguesa não logrou furtar-se à tendência e liderou as perdas na Europa, com uma queda de 2,22 por cento. Apenas um dos 20 títulos que compõem o PSI 20 escapou às desvalorizações. Desde o início do ano, o índice de referência da Euronext Lisboa já se desvalorizou 21 por cento.

O sentimento negativo nas praças europeias fica sobretudo a dever-se aos receios de um agravamento da crise no mercado de crédito.

Esta quinta-feira os mercados reagiram negativamente à provável liquidação do fundo do grupo norte-americano Carlyle. No que constitui mais um reflexo da crise ocasionada pelo colapso do crédito hipotecário de alto risco nos Estados Unidos, fracassaram as negociações entre o fundo ligado ao Carlyle Group e os respectivos credores.

Euro atinge novo máximo histórico

Ao longo da sessão desta quinta-feira, a moeda única europeia oscilou entre um mínimo de 1,5513 dólares e um máximo de 1,5625 dólares, novo valor histórico.

Às 17h30, o euro valia 1,5572 dólares.

A desvalorização da divisa norte-americana foi também acentuada pelo dossier Carlyle.

EUA implementam reforma da regulamentação do sector financeiro

O secretário norte-americano do Tesouro apresentou esta quinta-feira um conjunto alargado de medidas com vista à reforma da regulamentação do sector financeiro. O objectivo, assinalou Henry Paulson, é “evitar que erros do passado se reproduzam” e encaminhem os Estados Unidos para um novo quadro de crise.

A reforma a empreender pela Administração norte-americana passa pelo reforço da supervisão de bancos e corretores de crédito hipotecário. Os corretores ficarão sujeitos a “critérios rigorosos de aceitação a nível nacional”.

As medidas recaem, também, sobre as agências de notação, às quais são assacadas responsabilidades pelo agravamento da crise no mercado do subprime (crédito hipotecário de alto risco).

Ouro continua a bater recordes

Em Nova Iorque, o preço do ouro para entrega em Abril esteve em progressão pelo terceiro dia consecutivo, atingindo o valor histórico dos mil dólares a onça, mercê da escalada dos preços do petróleo e da desvalorização contínua da moeda norte-americana.

Ao início da tarde, o ouro começava a corrigir em baixa para os 995,90 dólares.

A contribuir para esta valorização estão também os problemas que envolvem o mercado de crédito, situação que está a levar a um aumento da procura de metais preciosos.
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