Petróleo e gás são o futuro de África, mas dependência excessiva é problemática

| Economia

O presidente do grupo nigeriano de energia Shoreline considera que o futuro de África passa pelo petróleo e pelo gás, mas alertou para a dependência excessiva, defendendo que países como Angola e a Nigéria devem procurar a diversificação económica.

Kola Karim, que a Forbes considerou, em 2014, o quarto homem mais poderoso de Africa, lidera um conglomerado que junta petróleo, gás, energia, infraestruturas e construção, entre outra áreas de negócio e vem a Portugal na próxima semana para participar na 1.ª edição do EurAfrican Forum, uma iniciativa do Conselho da Diáspora Portuguesa.

Em entrevista à Lusa, Karim mostrou-se otimista quanto ao futuro da indústria petrolífera, mas admitiu que uma economia demasiado dependente deste recurso enfrenta riscos.

"É, de facto, um problema e pode ser um fator crítico para países como Nigéria e Angola [os dois maiores produtores de petróleo em África] e, por isso, precisam agora de diversificar as suas econoimias. A Nigéria está agora a focar-se na agricultura, que emprega muita gente e ajuda também a alimentar a nação e impulsiona as exportações. Angola foca-se no setor mineiro entre outras áreas", salientou o empresário.

Mesmo assim, o petróleo tem um futuro "brilhante" pela frente, acrescentou.

"Imagine a quantidade de automóveis que existem atualmente em Portugal, acha que daqui a 30 anos vai haver 50% de carros elétricos em Portugal? Não me parece", comentou, sugerindo que o consumo de produtos petrolíferos vai continuar a crescer "de forma sustentável" nos próximos anos, acompanhando o aumento da população mundial e a procura de energia, ainda que num modelo mais ecológico como o dos carros híbridos, por exemplo.

Para o presidente da Shoreline, a crise económica que atingiu de forma mais intensa os países do Sul da Europa, pode ser também vista como "uma oportunidade" das empresas portuguesas levarem os seus produtos e serviços para África, nomeadamente países populosos como a Nigéria, que tem mais de 190 milhões de habitantes.

Neste âmbito, o EurAfrican Forum será "um ótimo meio de construir pontes e parcerias com as companhias portuguesas que têm Africa no seu DNA" e procuram "o parceiro certo" em áreas estratégicas como infraestrutras, petróleo, gás e energia.

"Este é o futuro de Africa e são estas áreas que acrescentam valor a África", realçou Kola Karim.

A Nigéria, líder de produção de petróleo em África, está entre os principais fornecedores de gás a Portual, a par da Argélia, mas também já esteve entre os maiores abastecedores de crude para o mercado português.

O responsável da Shoreline disse esperar que Portugal "assuma um papel central" na ligação aos países da África subsaariana, que vá além das tradicionais parcerias com ex-colónia, "olhando para toda a África subsaariana como uma plataforma para a integração e construção de pontes para os negócios".

O empresário advogou igualmente que "as economias europeias precisam de dar mais apoio às economias africanas" e devem encarar os países africanos como parceiros, mas essas parcerias devem ser benéficas para ambas as partes.

"Temos um bilião de pessoas, 60% das quais com idades inferiores a 30 anos no continente africano, por isso também é uma oportunidade de [as empresas europeias] construirem um dinamico setor de comércio e serviços", sublinhou, acrescentando que África tem neste momento duas grandes mais valias: a democracia "que está a lançar raízes" na maioria dos países africanos e o "fluxo de capital" que já se retrai ao invetsimento em África.

O EurAfrican Forum, que vai realizar-se no dia 10 de Julho de 2018, no Centro de Congressos do Estoril, pretende ser um "espaço de debate" sobre problemas comuns que afectam os dois continentes - económicos, mas também sociais e de inclusão - e "identificar oportunidades para a acção conjunta", segundo a organização.

Tópicos:

Congressos, EurAfrican Forum, Forbes, Kola Karim,

A informação mais vista

+ Em Foco

O Conselho Europeu informal de Salzburgo tem em cima da mesa dossiers sensíveis, com a imigração e o Brexit no topo da agenda. A RTP preparou um conjunto de reportagens especiais sobre esta cimeira.

    Nas eleições primárias, alguns dos mais conceituados senadores democratas foram vencidos por candidatos mais jovens, progressistas e, alguns deles, socialistas.

      Em seis anos, as investigações sucederam-se, sem poupar ninguém, da política ao futebol e à banca, seguindo a bandeira da ainda procuradora geral, o combate à corrupção.

        Os novos desenvolvimentos no diferendo comercial entre os Estados Unidos e a China vieram lançar ainda mais dúvidas sobre os próximos passos que os dois lados poderão adotar.