Plano para o investimento e o emprego faz deslizar défice de 2,2% para 3% do PIB em 2009
Lisboa, 13 Dez (Lusa) -- O Governo reviu hoje em alta a meta do défice para 2009, de 2,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) para 3 por cento, para financiar as medidas previstas no plano de combate à crise.
"O défice vai ficar nos 3 por cento", disse o primeiro-ministro, José Sócrates, na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros onde foi aprovado o plano de combate à crise.
Segundo números fornecidos pelo ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, revelam que o conjunto das iniciativas agora aprovadas custa "2.180 milhões de euros, ou seja, 1,25 por cento do PIB".
Deste montante, "1.300 milhões de euros são financiados pelo Orçamento do Estado para 2009", afirmou o ministro das Finanças, o que leva o défice a deslizar 0,8 por cento do PIB. O restante valor é financiado por fundos comunitários.
"Este é um esforço adicional", referiu o chefe do Governo, justificando que já tinha sido feito um esforço, quando, no Orçamento para 2009, o Executivo reviu em alta o défice da meta inicial de 1,5 por cento do PIB para 2,2 por cento do PIB.
O impacto da crise financeira na economia real "é forte", admitiu Sócrates, explicando que "não tinha sentido que Portugal fosse o único" a apresentar um plano e que, por isso, decidiu fazê-lo agora "articulado com outros países", depois do Conselho Europeu ter aprovado um plano de combate à crise para o conjunto dos Estados-membros.
O primeiro-ministro não quis revelar quais as consequências deste plano para as metas traçadas no cenário macroeconómico, como a taxa de desemprego e o crescimento económico, remetendo para a revisão do Programa de Estabilidade e Crescimento, que será apresentado "em breve" na Assembleia da República.
Os números do Governo indicam que o investimento privado directamente associado a estas "iniciativas para o investimento e o emprego" ascende a cerca de 5 mil milhões de euros.
O plano de combate à crise está organizado em três áreas: reforço do investimento público na educação, energia e redes tecnológicas de nova geração; apoio às empresas e actividade económica; e apoio ao emprego e reforço da protecção social.
"O emprego é a prioridade das prioridades no domínio social e das políticas públicas", disse o primeiro-ministro.
No Orçamento do Estado para 2009, o Governo prevê um crescimento económico de 0,8 por cento para 2008 e de 0,6 por cento para 2009 e uma taxa de desemprego de 7,8 por cento nos dois anos.
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