PM chinês rejeita "cortina de ferro digital" em plena rivalidade tecnológica com EUA

PM chinês rejeita "cortina de ferro digital" em plena rivalidade tecnológica com EUA

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, rejeitou hoje a construção de uma "cortina de ferro digital" e defendeu uma maior cooperação internacional em inteligência artificial (IA), num contexto de rivalidade tecnológica com os Estados Unidos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Shubing Wang - Reuters

Li fez estas declarações na abertura da Conferência Mundial da Internet, em Wuzhen, na província de Zhejiang, no leste da China, onde apelou a uma "inovação tecnológica aberta", à partilha de conhecimentos e a uma governação digital internacional "mais equitativa", segundo a agência de notícias oficial Xinhua.

O chefe do Governo chinês defendeu igualmente a transferência de tecnologia e a partilha de conhecimentos com outros países, manifestando oposição à construção de uma "cortina de ferro digital".

Li alertou ainda para a importância de preservar a "primazia humana" sobre a tecnologia e defendeu que as máquinas continuem a ser ferramentas fiáveis sob controlo humano, sem "agravar as desigualdades".

"A Internet converge cada vez mais com tecnologias como a inteligência artificial e evoluiu para além de uma mera infraestrutura, transformando-se numa forma de vida inteiramente nova; já não é apenas uma ferramenta técnica, mas um motor de transformação industrial", afirmou o primeiro-ministro.

As declarações surgem num contexto de restrições norte-americanas ao acesso da China a semicondutores avançados para IA, que levaram empresas como a Huawei e a Alibaba a acelerar o desenvolvimento de processadores próprios, visando reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, como a Nvidia.

Nos últimos meses, empresas tecnológicas chinesas como a DeepSeek, a Moonshot e a Alibaba reforçaram também a aposta em modelos abertos de IA, em contraste com a abordagem predominantemente fechada de concorrentes norte-americanas como a OpenAI e a Anthropic.

Apesar desta concorrência, Pequim e Washington acordaram, em setembro, estabelecer um canal bilateral de diálogo sobre os riscos e benefícios da IA, além de mecanismos de comunicação para eventuais incidentes relacionados com esta tecnologia.

Segundo a Xinhua, cerca de 1.800 pessoas, incluindo representantes governamentais, de organizações internacionais e de empresas tecnológicas, participaram na sessão inaugural.

A China organiza esta conferência desde 2014, promovendo a cooperação digital internacional, apesar de manter bloqueados vários serviços, como Google, WhatsApp, Facebook, Instagram e TikTok, e de exercer um controlo rigoroso dos conteúdos na Internet.

 

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