Politécnico da Guarda lidera projeto para proteger e valorizar cereja ibérica

Politécnico da Guarda lidera projeto para proteger e valorizar cereja ibérica

O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) garantiu 1,2 milhões de euros do FEDER para proteger a biodiversidade, aumentar a resiliência dos pomares de cerejeira face às alterações climáticas e valorizar economicamente a cereja ibérica.

Lusa /

Com duração prevista de dois anos, o `Iberian_Cherry` é coordenado pelo IPG e reúne 12 entidades do sistema científico, tecnológico e do setor público das principais regiões produtoras de cereja de Portugal e Espanha.

"O projeto combina soluções baseadas na natureza e nas tecnologias para promover uma produção de cereja mais sustentável", afirmou Luís Silva, investigador no Politécnico da Guarda e responsável pelo `Iberian_Cherry`.

A iniciativa abrange territórios com forte tradição na produção de cereja, como Resende, no distrito de Viseu, e Fundão, no distrito de Castelo Branco, do lado português, e de Piornal, no Valle de Jerte, na província espanhola de Cáceres, na comunidade autonómica de Extremadura.

Entre as medidas previstas estão a monitorização em tempo real das condições climáticas e dos pomares, a implementação de práticas agrícolas resilientes às alterações climáticas e a promoção de sistemas de produção com zero resíduos de produtos fitofarmacêuticos.

Os investigadores querem também influenciar o desenvolvimento de políticas públicas transfronteiriças que potenciem a valorização económica das cerejas de Resende e do Fundão, com Indicação Geográfica Protegida (IGP), e do Valle de Jerte, com Denominação de Origem Protegida (DOP).

"As regiões abrangidas pelo projeto partilham condições semelhantes de solo e de clima que influenciam o desenvolvimento, produtividade e saúde das plantas", explicou o Politécnico.

O Politécnico da Guarda recordou que, nos últimos anos, "secas prolongadas e alterações nos padrões de precipitação têm afetado a produtividade dos pomares e a rentabilidade dos produtores, colocando em risco o desenvolvimento sustentável de territórios predominantemente rurais".

"O `Iberian_Cherry` vai disponibilizar técnicas e práticas agrícolas inovadoras, novos produtos funcionais com conceitos de circularidade e `zero resíduos de fitofarmacêuticos` junto de pequenos produtores e `stakeholders` da fileira da cereja".

O objetivo é tornar os pomares resilientes às mudanças climáticas, colocando as tecnologias digitais ao serviço da preservação da biodiversidade.

O projeto prevê demonstrações de soluções inovadoras em pomares piloto e o desenvolvimento de novos produtos à base de cereja e dos seus subprodutos.

Haverá também sessões de sensibilização e capacitação de produtores, empreendedores e da comunidade local.

O `Iberian_Cherry` vai ainda estimular novos modelos de negócio centrados na cereja e apoiar a criação de pelo menos dez novas empresas, promovendo a inovação no setor.

A criação do Observatório Ibérico da Cereja é outra das medidas previstas.

Trata-se de uma plataforma digital para monitorização e partilha de informação sobre a produção de cereja nestas regiões transfronteiriças.

"Através da cooperação transfronteiriça, o `Iberian_Cherry` vai promover a partilha de conhecimento, a transferência de tecnologia e o desenvolvimento de soluções conjuntas para desafios comuns, contribuindo para a sustentabilidade ambiental, a inovação no setor agrícola e o desenvolvimento económico das comunidades rurais", afirmou Luís Silva.

As soluções implantadas deverão ser replicadas noutras regiões produtoras de cereja na Península Ibérica e no mundo.

O `Iberian_Cherry` é liderado pelo Politécnico da Guarda e envolve parceiros como a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e as Universidades de Salamanca e de Extremadura (Espanha).

Os municípios do Fundão, Resende e Piornal (Espanha), a Junta de Extremadura, a Associação de Agricultores para Produção Integrada de Frutos de Montanha (Guarda), a Cerfundão, a Cámara Oficial de Comercio, Industria y Servicios de Cáceres e a Agrupación de Cooperativas Valle del Jerte são outras entidades envolvidas.


 

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