Economia
Polónia vendeu carne de animais doentes a países europeus, incluindo Portugal
Depois de uma reportagem do canal TVN24, o diretor dos serviços veterinários da Polónia veio reconhecer esta quinta-feira que o país exportou quase três toneladas de carne bovina proveniente de animais doentes para vários países da União Europeia.
Mais de 20 fábricas de processamento de carne eram clientes de um único matadouro, que está agora sob investigação veterinária. O canal de televisão conseguiu infiltrar um repórter na fábrica, o qual filmou os procedimentos dentro do matadouro.O escândalo estourou no último sábado.
As imagens mostram animais doentes a serem transportados para as instalações, onde eram maltratados e mortos, com a sua carne a ser separada em bifes para consumo humano.
Muitos animais nem conseguiam manter-se de pé. Os talhantes foram filmados a cortar feridas e a retirar tumores, entre outros sinais de que a carne estava imprópria. O controlo veterinário era praticamente inexistente.
Após a emissão da notícia, o diretor dos serviços veterinários polacos determinou de imediato uma inspeção geral aos matadouros do país, em colaboração com a Polícia, a Inspeção de Transportes e a Procuradoria Geral.
Em conferência de imprensa, Pawel Niemczuk disse que quase 2,700 quilos de carne foram exportados para nove países europeus, incluindo a Roménia, Suécia, Hungria, Estónia, Finlândia, França, Espanha, Portugal, Lituânia e Eslováquia.
A Polónia exporta anualmente 90 por cento da sua produção de bifes, o equivalente a cerca de 560 mil toneladas, 85 por cento das quais segue para o Reino Unido, a Espanha, a Itália e a Alemanha.
Para as instâncias europeias a prioridade agora “é rastrear e retirar do mercado todos os produtos oriundos deste matadouro”.
“Peço aos Estados-membros afectados que tomem medidas rápidas", declarou, em comunicado, o comissário europeu responsável pela segurança alimentar, Vytenis Andriukaitis.
Fiscalização reforçada
De acordo com o jornal Público, a Direcção-Geral de Alimentação Veterinária portuguesa reforçou já a fiscalização dos matadouros, que às vezes são entrepostos de carne de outras proveniências.
Fiscalização reforçada
De acordo com o jornal Público, a Direcção-Geral de Alimentação Veterinária portuguesa reforçou já a fiscalização dos matadouros, que às vezes são entrepostos de carne de outras proveniências.
A ASAE também reforçou o controlo de outros pontos de distribuição, mas até agora não foi detetada carne contaminada.
Os produtores polacos desvalorizaram este caso da exportação de carne de animais doentes.
Dizem que o principal problema é a falta de independência dos veterinários que realizam as inspeções. "Deviam ser pagos pelo Estado, não pelas próprias empresas", referiu o líder da associação dos matadouros SRiWRP.
Janusz Rodziewicz sublinhou também que o problema ocorreu "apenas numa empresa".
"É desagradável e deve ser denunciado. Felizmente, é um matadouro pequeno e 99,9 por centos das outras empresas de processamento de carne são boas", garantiu.
O caso levanta várias questões sobre o controlo de produtos alimentares dentro da União Europeia, onde a circulação de pessoas e de bens é livre, sem revisões aduaneiras.