Ponte sobre o Zambeze é "um desafio" para empresas portuguesas
A construção da ponte sobre o rio Zambeze, centro de Moçambique, vai empregar directamente 600 trabalhadores, numa obra que constitui um desafio técnico para o consórcio de empresas portuguesas que a vai levar cabo.
A ponte de unidade nacional, a maior obra realizada em Moçambique desde a independente, vai ser construída pelo consórcio português Mota-Egil/Soares da Costa e concretizará o velho sonho moçambicano de unir o sul ao norte do país.
O empreendimento, financiado pela União Europeia, Suécia, Itália e Japão, está orçado em 66 milhões de euros e vai ter uma extensão de 2376 metros, entre Caia, na província de Sofala, e Chimuara, Zambézia, numa zona do rio com um caudal bastante violento e infestado de crocodilos.
O actual projecto retoma estudos feitos nos anos anteriores à independência, em 1975, por Edgar Cardoso, o grande engenheiro de pontes português, e cujas marcas são ainda visíveis nas margens do Zambeze.
A guerra civil entre o governo da FRELIMO e os rebeldes da RENAMO, de 1976 a 1992, impediu, então, a sua construção, continuando o tráfego rodoviário a atravessar o rio através de batelões, cujas constantes avarias tornaram num pesadelo as ligações por estrada entre o norte e o sul de Moçambique.
"A nova ponte tem um perfil mais longo", do que a de Edgar Cardoso, diz Tiago Mendonça, da empresa Betar, o projectista que vai trabalhar sobre o plano da nova ponte concebido pelo professor António Reis.
A ponte vai ser inaugurada com duas faixas de rodagem, mas tem uma estrutura que prevê a sua duplicação.
Para as duas margens do grande rio Zambeze vão ser enviados cerca de 600 trabalhadores, na maioria moçambicanos, que vão trabalhar directamente na ponte, uma obra que se espera dê trabalho indirecto a mais 2.000 pessoas.
"Do ponto de vista técnico, esta ponte é um grande desafio.
Tem uma grande dimensão, fundações especiais e tem técnicas de execução no viaduto e na ponte que são tecnologia de ponta na técnica de construção de pontes", afirma Carlos Cachorreiro, da Mota-Engil, a empresa que lidera o consórcio.
Grande parte da obra será executada a partir do rio e serão cravadas estacas com dois metros de diâmetro e 60 a 65 metros de comprimento, mas as empresas consideram que o facto de terem sido escolhidas para a construção da ponte deve-se ao conhecimento que têm da alta tecnologia no sector.
"Não vimos ganhar currículo; viemos pôr em prática tecnologia que já dominamos", declara José Fontes, da Soares da Costa.
A ponte sobre o Zambeze é a mais importante obra realizada por Moçambique como país independente, facto que as duas empresas portuguesas destacam, num negócio que dizem não tem grande impacto no seu volume de negócios.
Pela construção da ponte, que tem uma duração prevista de três anos, cada empresa receberá cerca de 30 milhões de euros, um valor que fazem questão de comparar com os 1.300 milhões de euros e 500 milhões de euros que dizem ter sido o volume de negócios registado no último ano pela Mota-Engil e a Soares da Costa, respectivamente.
"É uma obra emblemática porque é importante para Moçambique e é importante para a continuação da nossa actividade em Moçambique", defende Carlos Cachorreiro.
A Mota-Engil e a Soares da Costa têm empresas de construção em Moçambique e afirmam que vão continuar a trabalhar no país.