População de Canha satisfeita com a decisão e já pensa nos futuros negócios
Canha, Montijo 10 Jan (Lusa) - "Já posso morrer descansado. Ao fim de tantos anos há espera os terrenos vão valer mais dinheiro e os netos não vão ter mais chatices de dinheiro". Foi desta forma que João da Maria, um reformado da freguesia de Canha, Montijo, comentou à Lusa o anúncio de José Sócrates quanto à localização do novo aeroporto.
Paulo Bronze, dono do café Castelo, também não conseguia esconder a sua satisfação ao afirmar que o aeroporto vai "trazer mais emprego, mais desenvolvimento e pessoas para a terra".
O empresário salientou, curiosamente, que a procura de "terrenos aumentou desde há um mês e todos os dias aqui aparece gente interessada em áreas disponíveis para venda".
A junta de freguesia de Canha demonstrou hoje também "a satisfação com a decisão de instalação do aeroporto na freguesia", através do presidente Armando Piteira que falou esta manhã aos órgãos de comunicação social e que hoje invadiram a pequena localidade.
A infra-estrutura aeroportuária ficará instalada na zona de São Gabriel, por trás das antenas da RDP, na nossa freguesia, "já nada vai ser como antes" desabafa uma idosa residente na zona, "finalmente vamos ter desenvolvimento e os nossos netos não terão que ir trabalhar em Lisboa ou Vila franca".
O agricultor José Carlos Inácio detentor de uma área com 60 hectares, em Canha, demonstra a satisfação com a decisão da localização da nova infra-estrutura aeroportuária, com a condicionante dos "aviões não lhe passarem por cima da cabeça".
Este criador de avestruzes e gado bovino reconhece que o futuro aeroporto lhe vai trazer desenvolvimento estando já a pensar reconverter a sua exploração para uma vertente mais turística na área de hotelaria.
Tudo o que os empresários agrícolas tinham pensado para as suas propriedades "irá ser alterado com a decisão de hoje", explica o responsável pela Herdade do Moinho Novo, sabendo que existem projectos hoteleiros para toda a freguesia e concelho.
A Canha recebeu hoje a visita de televisões, jornalistas e equipas de reportagem que se concentraram junto ao lar de idosos, "só por isto já valeu a pena, ninguém sabia que esta terra existia até hoje", responde João Palma, um idoso sentado frente ao depósito de água onde aguarda "que a morte o chame" mas liberta "a esperança de ainda ver os aviões por cima da terra".
MPC.
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