Portas diz resultados operacionais da OGMA são "brilhantes"
O ministro demissionário da Defesa, Paulo Portas, elogiou hoje o processo de recuperação financeira da OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, e considerou "brilhantes" os resultados alcançados no ano passado pela empresa de engenharia e manutenção aeronáutica.
"Está afastado, para muitos anos a linha vermelha de passivo que recebi como encargo quando tomei posse como Ministro", reclamou hoje Portas, na cerimónia de apresentação de resultados da OGMA, nas instalações da empresa em Alverca.
"Tomei a decisão de não deixar encerrar uma indústria fundamental para a região de Lisboa", em 2002, quando a empresa "só tinha passivo", sem "dinheiro para pagar salários" ou "confiança dos clientes", afirmou.
A "receita do sucesso" da OGMA, adiantou, foram "dois anos sob orientação de gestão profissional", primeiro com o gestor Miguel Morais Leitão e, desde Agosto, com a ex-secretária de Estado Rosário Ventura.
O ministro demissionário salientou ainda, o "esforço dos trabalhadores" e "uma política de verdade com todos os parceiros", um "diálogo social baseado na confiança e transparência".
Segundo os números hoje divulgados pela presidente da Empordef, "holding" pública das indústrias de defesa do Estado, a OGMA registou resultados operacionais EBITDA de 3,1 milhões de euros em 2004, depois de 917 mil euros negativos no ano anterior e de 13,9 milhões de euros negativos em 2002.
Os resultados operacionais líquidos foram negativos em 6,1 milhões de euros, 11 milhões de euros acima do registado no ano anterior.
O lucro líquido foi de 6,7 milhões de euros, beneficiando de resultados extraordinários de 14,7 milhões de euros, resultantes da venda de material excedentário e libertação de uma provisão sobre impostos, no valor de cinco milhões de euros.
Em 2003, a OGMA lucrou 120 milhões de euros, graças à injecção de capital que recebeu do Estado para liquidação do passivo, e no ano anterior tinha registado um prejuízo de 63 milhões de euros.
No ano passado, o volume de negócios cresceu cerca de 40 por cento, cifrando-se em 140 milhões de euros.
Rosário Ventura manifestou o "reconhecimento pelo trabalho e empenho" do ministro da Defesa, "o principal porta-voz" da OGMA, a quem a empresa "deve muita credibilidade" de que goza e também "alguns contratos" de laboração.
Paulo Portas felicitou, em nome do Governo, os "trabalhadores, quadros e administração pelo brilhante resultado atingido" no ano passado.
Para o ministro, o "interesse" demonstrado "por grandes consórcios internacionais da aeronáutica" no processo de privatização da OGMA, que foi ganho pela brasileira Embraer, demonstra que a empresa é hoje "credível" e "tem potencial".
"Interessa-me que em Portugal haja um pólo industrial aeronáutico que gere postos de trabalho, crie riqueza e contribua para dinamizar o país", afirmou Portas.