Porto de Mós canaliza 6,5 milhões de euros do saldo de gerência para recuperação de danos
O Município de Porto de Mós vai canalizar 6,5 milhões de euros do saldo de gerência para a recuperação de danos que a depressão Kristin provocou no concelho, afirmou hoje à agência Lusa o seu presidente.
Jorge Vala explicou que dos 10 milhões de euros do saldo de gerência "três milhões estão consignados para obras" no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, referindo, neste caso, as obras no centro de saúde e na escola secundária, ambos na sede do concelho.
Segundo Jorge Vala, daquele montante, meio milhão de euros "foram encaminhados para despesas correntes ligadas à tempestade".
Os restantes 6,5 milhões de euros, "subtraindo a obras que estavam previstas executar durante este ano", estão destinados, sobretudo, para a valorização de espaços urbanos, reposição de sinalética vertical, obras de contenção de taludes e pavimentação de vias, além do apoio social a famílias.
Em três taludes, os trabalhos têm um custo estimado de 3,3 milhões de euros.
"Temos muita intervenção prevista no âmbito da destruição da tempestade, [em] algumas escolas, os três pavilhões gimnodesportivos que estão com as coberturas danificadas", exemplificou o autarca, referindo ainda que foi também alocada uma verba para a conclusão do projeto de reabilitação do Cineteatro de Porto de Mós, cuja entrada "ficou completamente danificada".
O presidente desta Câmara do distrito de Leiria esclareceu que o espaço cultural foi encerrado, tendo sido decidido avançar com conclusão do projeto, para lançar o concurso.
Jorge Vala reconheceu que devido à depressão Kristin, que atingiu o concelho há mais de três semanas, "há um conjunto de prioridades que foram alteradas", como sucedeu no passado com a pandemia de covid-19.
A prioridade "passou a ser a resposta a estas questões mais diretas com o património público e a sua reabilitação, mas também com a parte social, com a resposta às famílias, que é essencial neste momento".
Nesse sentido, "uma parte significativa do saldo de gerência, para não dizer todo, vai passar diretamente para as prioridades" resultado da tempestade.
O presidente do município esclareceu ainda que o levantamento dos prejuízos está em fase de conclusão, prevendo remetê-lo na sexta-feira à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, avançando que a última estimativa é de cerca de oito milhões de euros.
Reconhecendo que o concelho de Porto de Mós "foi dos menos afetados" com o mau tempo, Jorge Vala, também presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria, assumiu "uma preocupação acrescida com a região que está muito mais afetada, está muito mais destruída".
"Também nos cumpre ser solidários e reafirmar a importância da coesão numa altura destas", acrescentou.
A CIM integra os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.