Porto exige metrobus pronto em dezembro após "incumprimento de prazos" do empreiteiro
O presidente da Câmara do Porto deu até ao final do ano para o empreiteiro terminar as obras da segunda fase do metrobus, falando em "incumprimento de prazos" do construtor, que "não tem cumprido com as suas obrigações".
"É importante que se diga - não tenho problemas em dizê-lo publicamente - temos tido problemas sérios com o empreiteiro da obra. Nós não, a Metro [do Porto] - nós não somos donos da obra, é a Metro - por incumprimento de prazos", disse hoje aos jornalistas Pedro Duarte, após uma viagem no elétrico 22 da STCP.
O autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL disse mesmo que "o empreiteiro não tem cumprido com as suas obrigações".
"O empreiteiro disse na minha cara que concluiria a obra até outubro. Não vai fazer, provavelmente. Mas até ao fim do ano é para nós a data limite. Portanto, eu espero que desta vez se cumpra a palavra e até ao fim do ano nós precisamos ter aquela obra fechada", vincou.
Pedro Duarte disse ainda que a Câmara tem "feito um esforço grande para dar todas as condições para acelerar aquilo que é o prazo da obra".
Em causa estão as obras da segunda fase do metrobus, que decorre atualmente entre o cruzamento entre as avenidas da Boavista e Marechal Gomes da Costa e a Praça Cidade do Salvador, conhecida como a rotunda da Anémona.
A obra foi adjudicada à empresa Alexandre Barbosa e Borges (ABB).
Na semana passada, em entrevista ao Público, o presidente da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), Luís Osório, disse que a última informação de que dispunha era que "em janeiro seria o início da operação da segunda fase".
"A experiência diz-me que talvez isso possa derrapar, mas aqui é meramente especulativo. Neste momento, esperamos começar a segunda fase em janeiro, seja em testes, seja na totalidade", disse ao jornal o responsável da empresa que opera o serviço, apesar de a obra estar a cargo da Metro do Porto.
Esta semana, a Lusa questionou também a Metro do Porto sobre qual é o novo prazo oficial da empresa para o fim das obras da segunda fase do metrobus, quando é expectável que o serviço esteja em funcionamento, quando é que estará pronta a estação de produção e carregamento de hidrogénio e se foi preciso recorrer a fundos extra PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] para terminar a obra, uma vez que o prazo do PRR foi ultrapassado, mas ainda não obteve resposta.
As obras da segunda fase, que chegaram a ser suspensas pela nova administração da Metro do Porto em outubro, recomeçaram em 03 de novembro de 2025 na Avenida da Boavista, entre o Colégio do Rosário e a Fonte da Moura.
Um mês antes, a Metro do Porto tinha decidido fazer uma "paragem técnica temporária" da obra desta segunda fase do metrobus.
As obras foram alvo de contestação, quer por parte de candidatos à presidência da autarquia nas eleições de outubro de 2025, quer por populares, nomeadamente quanto ao abate de árvores.
O metrobus do Porto será um serviço de autocarros a hidrogénio que ligará a Casa da Música à Praça do Império e à Anémona (na segunda fase) em 12 e 17 minutos, respetivamente.
O conjunto dos veículos e do sistema de produção de energia custaram 29,5 milhões de euros. Já a empreitada do metrobus custa cerca de 76 milhões de euros.