Portugal cai três posições na lista dos países mais competitivos
Portugal caiu três posições no Índice Global da Competitividade elaborado pelo Fórum Económico Mundial. Ocupa agora o 46.º lugar, mas no aspecto que respeita à eficiência do mercado de trabalho, posiciona-se em 117.º entre os 139 países analisados. Na listagem liderada pela Suíça, Portugal apresenta a mesma pontuação da Lituânia, 4,38 pontos.
Esmeralda Dourado defende que é preciso rever as leis do trabalho, por muito que custe em termos sociais. "A reforma das leis laborais é um imperativo para que haja maior eficiência e produtividade, por muito que isto custe em termos sociais", sustentou.
A opinião de Esmeralda Dourado é contestada pela CGTP. Arménio Carlos diz que a flexibilidade contribuiu para a precariedade.
"O problema não está na flexibilização da legislação laboral, já temos flexibilidade a mais, veja-se a situação da precariedade em Portugal", afirmou o sindicalista. "Somos o 3.º país da União Europeia com maiores índices de precariedade, que continua a crescer abaixo da média no que respeita aos salários e também à distribuição do rendimento, mas também onde se verificam as maiores desigualdades sociais", acrescentou.
Arménio Carlos entende que "o problema" passa pela "mudança de políticas e de mudança de perfil de desenvolvimento".
Queda de 14 posições no índice de eficiência de mercado laboral
Portugal caiu do 103.º lugar, em 2009, para a 117.ª posição, no que respeita à eficiência do mercado laboral. Foi classificado com 3,85 pontos.
O índice em que Portugal teve a pior classificação é composto pelos items: cooperação trabalhador empregador (96 lugar), flexibilidade na determinação dos salários (119), rigidez do emprego (110) e práticas de contratação e despedimento (138).
Entre as componentes analisadas para determinar a eficiência do mercado de trabalho, a melhor classificação é atribuída à participação das mulheres no mundo do trabalho, ocupando a 36.ª posição do conjunto dos 139 países.
Aspectos problemáticos dos negócios em Portugal
Os factores que mais dificultam a realização de negócios em Portugal estão relacionados com a ineficácia ao nível da burocracia governamental, a rigidez da legislação laboral e a instabilidade de políticas, revela o documento.
Os impostos, o acesso ao financiamento, a legislação fiscal e uma formação pouco adequada dos trabalhadores, além da corrupção, são aspectos igualmente problemáticos apontados pelo Fórum Mundial a Portugal.
Portugal ocupou a 43.ª posição nos relatórios de 2008-2009 e 2009-2010.
O que é o Índice Global de Competitividade
O Índice Global da Competitividade resulta da análise de 12 índices de competitividade: instituições, infra-estruturas, ambiente macroeconómico de negócios, saúde e educação primária, formação e educação superior, mercado de bens, eficiência do mercado laboral, desenvolvimento do mercado financeiro, utilização de tecnologia, dimensão do mercado, sofisticação dos negócios e inovação.
Um grupo de sete economistas, coordenados pelo espanhol Xavier Sala-i-Martin, classifica cada índice com entre 0 e 7 pontos, sendo depois estabelecidas relações entre os índices.
A Suíça continua a liderar a lista, seguida da Suécia, Singapura, EUA, Alemanha, Japão, Finlândia, Holanda, Dinamarca e Canadá. A Espanha e a Grécia estão entre os países que mais caíram, tendo cedido nove e seis posições, respectivamente, situando-se no 42.º e 40.º lugares. Nas últimas posições estão o Chade, Angola e o Burundi.