Portugal deve resistir a pressões para reduzir relações com a China alerta Martins da Cruz
O embaixador Martins da Cruz defendeu hoje que Portugal deve resistir às pressões para reduzir os laços com a China, salientando que Macau é essencial nas relações entre os dois países e com as economias lusófonas.
"A União Europeia continua sem saber que relações há de ter com a China e nós, Portugal, vamos ter que saber resistir a futuras pressões americanas e, de alguma maneira, de Bruxelas, para limitarmos as nossas relações com a China; estas pressões irão aumentar, quer de Bruxelas, quer do outro lado do Atlântico, e Portugal tem de encontrar meios para manter as relações, desenvolvê-las e resistir a pressões", disse o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros.
Falando na Conferência `30 Anos de CPLP - Que Futuro nas Relações com a China?`, no âmbito das `China Sessions`, organizadas pelo Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, o antigo governante abordou a importância da China para a economia portuguesa, os desafios dos países lusófonos no relacionamento com o gigante asiático e a evolução da relação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) com a China, salientando a importância do Fórum Macau.
"No quadro da CPLP, é sobretudo através do Fórum Macau que a China desenvolve as relações bilaterais com os países lusófonos, e Portugal, nesta plataforma, quer fazer o mesmo que a China faz, que é aprofundar o relacionamento bilateral", disse o embaixador.
Vincando a importância das relações entre a China e os países lusófonos, Martins da Cruz chamou a atenção para a crescente ascendência da Espanha neste contexto, e vincou que a CPLP, apesar de útil para todos os países lusófonos, enfrenta várias limitações, apontando a descontinuidade geográfica, os desafios linguísticos demonstrados pelo facto de muitas pessoas não falarem português em Cabo Verde e Guiné-Bissau, por exemplo, e a "fidelidade" às regiões económicas em que os países estão inseridos.
Para o embaixador, a política externa portuguesa tem sempre três prioridades: "a Europa, o Atlântico, independentemente de qual seja o Governo norte-americano, e depois o espaço da língua portuguesa".
A China, concluiu, "entra nesta equação da CPLP através do Fórum Macau, que é a única organização internacional que existe em Macau, com o acordo de Portugal, e que é muito importante pelo que representa nas nossas relações com a China, mas que infelizmente é pouco aproveitada pela maioria das empresas portuguesas".