Portugal entre fundadores de banco internacional pensado pela China

Portugal é um dos 57 fundadores da nova instituição financeira internacional proposta pela China - o Asian Infrastructure Investment Bank. O anúncio foi feito esta quarta-feira, com pompa, por Pequim. Em Lisboa, por ora, prevalece o silêncio.

Sandra Salvado, RTP /
Takaki Yajima, Reuters

De acordo com a agência Xinhua, além de Portugal, seis outros países aderiram ao projeto nos últimos dias, antes de terminar o prazo, a 31 de março.
O online da RTP contactou ao início da manhã o gabinete de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros para obter mais dados sobre a participação de Portugal no Asian Infrastructure Investment Bank, mas até ao momento não nos foi dado qualquer tipo de esclarecimento.
Foram igualmente aprovados como membros fundadores da instituição a Suécia, Israel, África do Sul, Azerbaijão, Islândia e Polónia.

"Embora o prazo para fundar o pedido de adesão já tenha terminado, o banco vai continuar a aceitar novos membros. O AIIB é um banco de desenvolvimento multilateral aberto e inclusivo", disse o vice-ministro das Finanças da China Shi Yaobin, citado pela mesma agência.

O novo banco fará incidir o foco no desenvolvimento de infraestruturas em países asiáticos. A China tem tentado aumentar esses investimentos nos mercados emergentes, para ajudar a expandir o comércio.Fundadores definem regras
Visto inicialmente em Washington como um desafio à ordem financeira internacional -  e uma espécie de concorrente do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial -, o AIIB será formalmente estabelecido ainda este ano com um capital de 50 mil milhões de dólares. A sede cabe a Pequim.

“Os membros fundadores da AIIB tem o direito de ajudar a definir as regras do banco, enquanto os países que solicitaram a adesão após 31 de março serão considerados membros ordinários com direito a voto”, diz a agência de notícias Xinhua.

A constituição de um banco para financiar a construção de infraestruturas na Ásia-Pacifico Já tinha sido anunciada em outubro do ano passado, em Pequim, numa proposta subscrita por 21 países da região, entre os quais a China, Índia, Indonésia, Paquistão, Qatar e Singapura.

O AIIB irá fornecer financiamento para estradas, ferrovias, aeroportos e outros projetos de infraestruturas na Ásia, refere, por sua vez, a Associated Press.
Metade da União Europeia adere
Já este ano, em março, o Reino Unido anunciou a sua adesão ao AIIB, logo seguido pela Alemanha, França, Itália, Espanha, Suíça, Noruega e outros países europeus.

No total, metade dos 28 membros da União Europeia fazem agora parte do novo banco. Áustralia, Brasil, Egito, Nova Zelândia e Rússia também aderiram.

Os EUA tinham-se oposto ao plano por causa da desconfiança sobre a necessidade de mais uma instituição de desenvolvimento, mas recentemente mudaram de postura, perante o número de países aliados que apoiaram a ideia.

Entretanto, o secretário norte-americano do Tesouro, Jacob Lew, que se deslocou a Pequim há alguns dias, disse-se "encorajado com as conversações em Pequim, nas quais os líderes da China esclareceram que desejam satisfazer elevados padrões e acolhem parcerias".
Inversão de marcha
Jacob Lew afirmou ainda que "os Estados Unidos estão prontos a saudar novos contributos para o desenvolvimento da arquitetura internacional, incluindo o Asian Infrastruture Investment Bank, desde que essas instituições completem as instituições financeiras internacionais existentes e partilhem o forte empenhamento da comunidade internacional num genuíno processo de decisão multilateral e melhorem os padrões e garantias dos empréstimos".

Segundo estatísticas citadas na imprensa chinesa, a Ásia-Pacífico precisará de investir verbas astronómicas, equivalentes a milhares de milhões de euros, para melhorar as suas infraestruturas.

O AIIB "é uma iniciativa aberta à participação de todos os países que pretende promover a complementaridade e coordenação com outras instituições financeiras multinacionais como o Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB) e o Banco Mundial", disse o Presidente chinês, Xi Jinping.

Figuram ainda no AIIB o Bangladesh, Birmânia, Brunei, Camboja, Cazaquistão, Filipinas, Kuwait, Laos, Malásia, Mongólia, Nepal, Omã, Sri Lanka, Tailândia e Vietname.
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