Economia
Portugal "não se pode dar ao luxo" de perder a TAP, defende ministro das Infraestruturas
Na cimeira da aeronáutica, a decorrer esta quarta-feira em Ponte de Sor, Pedro Nuno Santos recordou que, apesar da crise, a TAP é uma companhia aérea que tem aumentado as ligações entre Portugal e os Estados Unidos, dando "uma centralidade ao nosso país, que não temos o direito de desperdiçar". O ministro das Infraestruturas e da Habitação afirmou ainda que ao questionar ajudas à TAP, Rui Rio "mostrou que não tem capacidade para liderar o país". Quanto ao novo aeroporto, o governante diz que não é admissível que o país ande há 50 anos num "pára-arranca".
O ministro das Infraestruturas considerou, esta quarta-feira, "tentador" os partidos da oposição criticarem a gestão da TAP ou a localização do novo aeroporto, alertando que estão a "prejudicar" o país e que "não têm capacidade" para governar.
"Sofremos uma pandemia que teve um impacto brutal, devastador no setor da aviação comercial em todo o mundo. Na TAP também. (…) Em nenhum outro país europeu se questiona a intervenção e o auxílio público às suas companhias aéreas, como assistimos em Portugal", afirmou na sua intervenção no evento, acrescentando que esta questão devia levar a ponderar "sobre a forma que temos de olhar para o nosso próprio país".
"Por que é que nós metemos em causa o apoio público a uma companhia de bandeira que dá centralidade a um país que é periférico no quadro europeu? Este é o nosso maior desafio". E continuou: "Conseguimos entender. O país tem grandes dificuldades económicas, um povo que tem sofrido as agruras desta pandemia. E tem dificuldade em compreender como se injeta tanto dinheiro numa companhia aérea".
Pedro Nuno Santos voltou a reforçar a importância de ajudar a TAP, alertando para as consequências imediatas se esta fosse substituída por uma empresa estrangeira. No evento Portugal Air Summit, o ministro defendeu que "muitos querem ficar com um negócio que é da TAP" e defendeu que o país "não se pode dar ao luxo" de perder a única transportadora aérea pública. É preciso, na ótica de Pedro Nuno Santos, explicar a importância da TAP para o país. Quando se fala na TAP, explicou, fala-se da "empresa, ou numa das grandes empresas, que mais contribui para as exportações em Portugal". São três mil milhões de euros de exportações da responsabilidade da TAP, frisou ainda.
"A TAP não é uma empresa qualquer. É uma das mais importantes empresas do país", declarou o ministro.
Além disso, a TAP "comprou antes da pandemia, em 2019, 1.300 milhões de euros a mais de mil empresas nacionais em fornecimento". E "trouxe em 2019 quatro milhões de turistas a Portugal, que gastaram 1.500 milhões de euros no nosso país".
"Temo-nos entregado com muita convicção a defender a companhia aérea e tentar vencer esta batalha contra a vontade de muitos que querem ficar com um negócio que é da TAP".
"Nenhuma outra companhia aérea substituiria na íntegra a TAP. A consequência para a economia seria sentida de imediato" pelos portugueses, disse o responsável pela pasta das Infraestruturas.
É "tentador" criticar a localização de novo aeroporto
No discurso, proferido esta quarta-feira, Pedro Nuno Santos referiu que ao questionar ajudas à TAP, Rui Rio "mostrou que não tem capacidade para liderar o país". O ministro das Infraestruturas e da Habitação criticou o discurso do presidente do PSD, sem nunca mencionar o seu nome.
"É fácil, é tentador e nós assistimos a isso ainda recentemente num debate no parlamento. É tentador que um líder político aproveite o tema para fazer combate político, mas ao fazê-lo pode conseguir faturar do ponto de vista conjuntural, mas está a prejudicar o país e está a mostrar que não tem capacidade para poder liderar os destinos do país", disse Pedro Nuno Santos.
O governante lamentou ainda que tanto a TAP como a localização de um novo aeroporto não mereçam consenso.
No discurso, proferido esta quarta-feira, Pedro Nuno Santos referiu que ao questionar ajudas à TAP, Rui Rio "mostrou que não tem capacidade para liderar o país". O ministro das Infraestruturas e da Habitação criticou o discurso do presidente do PSD, sem nunca mencionar o seu nome.
"É fácil, é tentador e nós assistimos a isso ainda recentemente num debate no parlamento. É tentador que um líder político aproveite o tema para fazer combate político, mas ao fazê-lo pode conseguir faturar do ponto de vista conjuntural, mas está a prejudicar o país e está a mostrar que não tem capacidade para poder liderar os destinos do país", disse Pedro Nuno Santos.
O governante lamentou ainda que tanto a TAP como a localização de um novo aeroporto não mereçam consenso.
"Andamos há cinco décadas a tentar nos entender sobre a localização do novo aeroporto", começou por criticar. "Já testámos e estudámos, ao longo destas décadas, 17 localizações".
Segundo o ministro, será preciso esperar "mais um ano ou um ano e meio para podermos tomar uma nova decisão e esperar que não haja uma alteração qualquer num partido ou num governo que volte a reequacionar a localização do aeroporto".
Por isso, Pedro Nuno Santos salientou que "não temos o direito de estar, sistematicamente, no 'pára-arranca'". "Isto não era bem para vocês [assistência], acho eu, pelo menos parto desse princípio, mas posso estar enganado também, sou surpreendido sobre este tema [TAP e novo aeroporto] todos os dias, mas obviamente que homens e mulheres ligados ao setor da aviação acho que conseguem compreender melhor a importância que tem a TAP e o novo aeroporto para o desenvolvimento nacional, mas isso não está garantido em todo o território e em todo o país", disse.
Segundo o ministro, será preciso esperar "mais um ano ou um ano e meio para podermos tomar uma nova decisão e esperar que não haja uma alteração qualquer num partido ou num governo que volte a reequacionar a localização do aeroporto".
Por isso, Pedro Nuno Santos salientou que "não temos o direito de estar, sistematicamente, no 'pára-arranca'". "Isto não era bem para vocês [assistência], acho eu, pelo menos parto desse princípio, mas posso estar enganado também, sou surpreendido sobre este tema [TAP e novo aeroporto] todos os dias, mas obviamente que homens e mulheres ligados ao setor da aviação acho que conseguem compreender melhor a importância que tem a TAP e o novo aeroporto para o desenvolvimento nacional, mas isso não está garantido em todo o território e em todo o país", disse.
"Não está sequer garantido nos interlocutores políticos que nós vamos tendo, porque obviamente é politicamente mais fácil neste momento nós fazermos um debate contra o dinheiro que está a ser injetado na TAP", acrescentou.
Na sua intervenção, o ministro sublinhou que o setor da aviação é "crítico" para o desenvolvimento nacional, considerando que os portugueses têm o "direito" de viver num país "mais desenvolvido" e que "pague melhores salários", passando esse direito pela construção de um novo aeroporto e pela sustentabilidade da TAP.