Portugal perdeu em 2007 atractividade no investimento directo estrangeiro - Ernest & Young.
Lisboa, 13 Nov (Lusa) - Portugal caiu três lugares no ranking dos países europeus mais atractivos para o investimento directo estrangeiro (IDE) apesar de ter melhorado a imagem que os investidores têm do país, revelou hoje um estudo da consultora Ernest & Young.
Com 37 investimentos directos estrangeiros anunciados em 2007, menos um do que em 2006, "Portugal passou do 20º lugar em 2006 para 23º em 2007", diz o relatório Atractividade da Economia Portuguesa na Captação de IDE.
Segundo a Ernest & Young, foram os sectores automóvel (montagem), software, serviços de transporte (predomínio da logística) e electrónica que atraíram mais IDE, com três investimentos cada.
No total, a indústria atraiu mais investimento, com 65 por cento, seguindo-se os serviços com 16 por cento, o que se reflecte nos postos de trabalho criados, acrescenta o estudo.
Em média, cada projecto de IDE gera em Portugal 202 empregos enquanto na Europa se fica pelos 87. Uma diferença substancia que, explica o relatório, tem a ver com "o perfil de Portugal como receptor de indústrias de mãos de obra intensiva"
Só os investimentos do IKEA e da Wolkswagen contribuíram com 777 e 550 postos de trabalho, respectivamente.
Apesar da redução nos investimentos, 39 por cento dos investidores contactados pelo estudo disseram que "melhorou a percepção de Portugal como potencial localização de negócio".
Apesar dos esforços no sentido de aumentar a eficiência da administração pública portuguesa, 46 por cento dos entrevistados ainda consideram esta área pouco atractiva, refere o relatório.
De acordo com José Gonzaga Rosa, partner da Ernest & Young, "o país conseguiu ganhos rápidos em aspectos importantes para a qualidade do ambiente de negócios", sobretudo nos transportes, logísticas e telecomunicações, mas "há ainda caminho a percorrer no que respeita ao diálogo das empresas com a administração fiscal, melhoria do sistema judicial e flexibilização da regulamentação laboral".
José Gonzaga Rosa identifica ainda dois desafios com que o país tem de se confrontar: "colocar Portugal no radar das economias dos BRIC - Brasil, Rússia, Índia ou China - e diversificar internamente para indústrias de crescimento rápido baseadas na inovação e tecnologias de informação e comunicação".
A Espanha continua a liderar o IDE em Portugal com 32 por cento do total anunciado em 2007, seguida dos Estados Unidos (16 por cento) e da Alemanha (14 por cento).
Lisboa e Porto continuam a ser os destinos preferidos do IDE, com um predomínio claro da capital que concentra 51 por cento desse investimento face a 16 por cento do Porto.