Economia
Portugal pode estar muito perto da falência
A situação financeira de Portugal está a ser acompanhada ao minuto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) que já afirmou estar o nosso país perto da falência. Ontem os juros da dívida pública portuguesa a dez anos atingiram níveis históricos, chegaram aos 6,8 por cento, o que leva o FMI a reconhecer que Portugal está a ser empurrado para o abismo pelos mercados. O secretário de Estado do Tesouro já veio desmentir esta versão.
Os investidores estão a deixar de comprar títulos da dívida portuguesa porque apostam quase a 100 por cento na falência do país. De acordo com o FMI, os mercados estão a sobrestimar o risco de incumprimento porque acreditam que Portugal não vai conseguir pagar a dívida e, por isso, exigem taxas de juro mais altas.
Perante os factos, o país está cada vez com mais dificuldade em financiar-se no mercado e os analistas admitem a possibilidade de Portugal ter de recorrer no próximo ano ao fundo de estabilização criado pela União Europeia e pelo FMI.
A dívida portuguesa a dez anos estava hoje a negociar com um juro de 6,71 por cento e mais tarde baixou mesmo para os 6,581, valores mais baixos que ontem quando os juros alcançaram níveis históricos de 6,8 por cento e que permitem pensar que o Fundo Monetário Internacional pode muito em breve intervir em Portugal.
Já o 'spread' da dívida portuguesa face aos títulos de dívida alemã nos títulos a dez anos, ou seja, o prémio pedido pelos investidores para comprarem obrigações portuguesas em vez de alemãs, também está a subir, situando-se em 433,9 pontos base.
Na maturidade a cinco anos os juros atingem os 5,434 por cento, abaixo dos 5,473 por cento e o 'spread' face às "bunds" alemãs agrava-se para os 431,9 pontos base.
Falência é mentira
Quem discorda por completo da versão de que Portugal esteja à beira da falência é o secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Carlos Costa Pina, referindo que Portugal nunca teve problemas de procura para as emissões de dívida soberana.
Costa Pina diz mesmo que houve uma interpretação errónea do relatório do FMI já que não consegue encontrar no documento qualquer indicação de que o nosso país esteja à beira da falência.
"Não vi nas afirmações atribuídas ao Fundo Monetário Internacional o que delas se retirou. Não temos, nem nunca tivemos, um problema de falta de procura da nossa dívida por parte de investidores estrangeiros. Sempre tivemos nas colocações efectuadas uma procura superior à oferta, mesmo não considerando a procura de dívida por parte de instituições financeiras portuguesas", afirmou o secretário de Estado em declarações à agência Lusa.
Sobre o máximo histórico atingido ontem pelos juros da dívida portuguesa a dez anos no mercado secundário, Costa Pina considera que este é "um nível de remuneração excessivo face ao respetivo risco", mas acrescenta que Portugal "não é um caso isolado".
Elogio às medidas de Portugal
Quem se mostra bastante agradado com as medidas tomadas por Portugal com a aprovação do Orçamento do Estado é o antigo director-geral do FMI, Jacques de Larosire, que reforça o elogio dizendo que o FMI não faria muito mais.
"Estou impressionado com as medidas do Orçamento do Estado para 2011, que são muito significativas e vão trazer o défice para 4,6 por cento do PIB no próximo ano, depois de números muito altos", referiu Larosire actual presidente do Comité de Estratégia do Tesouro de França.
Presente em Lisboa na conferência "A actividade financeira e o novo modelo de supervisão", promovida pelo BPI Pensões, Larosire refere que esta "é uma notável demonstração do empenho das autoridades portuguesas em resolver a situação".
Outro elogio foi dado à reforma feita no sistema de Segurança Social português considerando o ex-director-geral do FMI entre 1978 e 1987 que "Portugal está a fazer muito bem o trabalho, está a fazer as coisas certas. O FMI não faria muito mais".
Orçamento pode ser insuficiente
A verdade é que a aprovação do Orçamento do Estado, depois do acordo conseguido entre o Governo e o PSD, pode não ser suficiente para os mercados acreditarem nas possibilidades da economia portuguesa.
Esta é a opinião de váriso especialistas e ontem o economista Vítor Bento referia isso mesmo ao afirmar que um Orçamento aprovado pode não ser suficiente para convencer os mercados, que desconhecem se as medidas contempladas são "suficientes para fazer face ao problema" do défice.
"Os mercados, mesmo vendo o Orçamento do Estado a ser aprovado, não sabem se será suficiente para fazer face ao problema do défice", afirmou Vítor Bento quando ontem se deslocou à Faculdade de Economia da Universidade do Porto para mais uma lição de sapiência "A Crise Financeira e o Regresso da Macroeconomia".
Vítor Bento disse ainda que "a necessidade de ajustamento orçamental tem um risco muito grande, que é uma razão para os mercados estarem nervosos" dado que "a necessidade de redução do défice é tal que tem necessariamente efeitos recessivos e pode implicar ainda mais austeridade".
Vítor Bento refere que o caminho "é dar sustentabilidade à dívida, reduzindo o défice e criando capacidade de crescimento".
Perante os factos, o país está cada vez com mais dificuldade em financiar-se no mercado e os analistas admitem a possibilidade de Portugal ter de recorrer no próximo ano ao fundo de estabilização criado pela União Europeia e pelo FMI.
A dívida portuguesa a dez anos estava hoje a negociar com um juro de 6,71 por cento e mais tarde baixou mesmo para os 6,581, valores mais baixos que ontem quando os juros alcançaram níveis históricos de 6,8 por cento e que permitem pensar que o Fundo Monetário Internacional pode muito em breve intervir em Portugal.
Já o 'spread' da dívida portuguesa face aos títulos de dívida alemã nos títulos a dez anos, ou seja, o prémio pedido pelos investidores para comprarem obrigações portuguesas em vez de alemãs, também está a subir, situando-se em 433,9 pontos base.
Na maturidade a cinco anos os juros atingem os 5,434 por cento, abaixo dos 5,473 por cento e o 'spread' face às "bunds" alemãs agrava-se para os 431,9 pontos base.
Falência é mentira
Quem discorda por completo da versão de que Portugal esteja à beira da falência é o secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Carlos Costa Pina, referindo que Portugal nunca teve problemas de procura para as emissões de dívida soberana.
Costa Pina diz mesmo que houve uma interpretação errónea do relatório do FMI já que não consegue encontrar no documento qualquer indicação de que o nosso país esteja à beira da falência.
"Não vi nas afirmações atribuídas ao Fundo Monetário Internacional o que delas se retirou. Não temos, nem nunca tivemos, um problema de falta de procura da nossa dívida por parte de investidores estrangeiros. Sempre tivemos nas colocações efectuadas uma procura superior à oferta, mesmo não considerando a procura de dívida por parte de instituições financeiras portuguesas", afirmou o secretário de Estado em declarações à agência Lusa.
Sobre o máximo histórico atingido ontem pelos juros da dívida portuguesa a dez anos no mercado secundário, Costa Pina considera que este é "um nível de remuneração excessivo face ao respetivo risco", mas acrescenta que Portugal "não é um caso isolado".
Elogio às medidas de Portugal
Quem se mostra bastante agradado com as medidas tomadas por Portugal com a aprovação do Orçamento do Estado é o antigo director-geral do FMI, Jacques de Larosire, que reforça o elogio dizendo que o FMI não faria muito mais.
"Estou impressionado com as medidas do Orçamento do Estado para 2011, que são muito significativas e vão trazer o défice para 4,6 por cento do PIB no próximo ano, depois de números muito altos", referiu Larosire actual presidente do Comité de Estratégia do Tesouro de França.
Presente em Lisboa na conferência "A actividade financeira e o novo modelo de supervisão", promovida pelo BPI Pensões, Larosire refere que esta "é uma notável demonstração do empenho das autoridades portuguesas em resolver a situação".
Outro elogio foi dado à reforma feita no sistema de Segurança Social português considerando o ex-director-geral do FMI entre 1978 e 1987 que "Portugal está a fazer muito bem o trabalho, está a fazer as coisas certas. O FMI não faria muito mais".
Orçamento pode ser insuficiente
A verdade é que a aprovação do Orçamento do Estado, depois do acordo conseguido entre o Governo e o PSD, pode não ser suficiente para os mercados acreditarem nas possibilidades da economia portuguesa.
Esta é a opinião de váriso especialistas e ontem o economista Vítor Bento referia isso mesmo ao afirmar que um Orçamento aprovado pode não ser suficiente para convencer os mercados, que desconhecem se as medidas contempladas são "suficientes para fazer face ao problema" do défice.
"Os mercados, mesmo vendo o Orçamento do Estado a ser aprovado, não sabem se será suficiente para fazer face ao problema do défice", afirmou Vítor Bento quando ontem se deslocou à Faculdade de Economia da Universidade do Porto para mais uma lição de sapiência "A Crise Financeira e o Regresso da Macroeconomia".
Vítor Bento disse ainda que "a necessidade de ajustamento orçamental tem um risco muito grande, que é uma razão para os mercados estarem nervosos" dado que "a necessidade de redução do défice é tal que tem necessariamente efeitos recessivos e pode implicar ainda mais austeridade".
Vítor Bento refere que o caminho "é dar sustentabilidade à dívida, reduzindo o défice e criando capacidade de crescimento".