Portugal precisa de um plano credível de redução do défice

Portugal precisa de um plano credível de redução do défice

Portugal ainda precisa de apresentar um plano credível a longo prazo para redução do défice para assegurar que o "rating" de crédito permaneça tal como está. O anúncio foi feito hoje pela agência de notação de risco Moody's após ter conhecimento do Orçamento do Estado para 2010 apresentado ontem pelo Governo português.

RTP / Adicionar como fonte informativa
O Orçamento do Estado entregue ontem foi hoje alvo de uma análise da agência Moody's António Cotrim/Lusa

A agência Moody's refere que o objectivo de 8.3 por cento previsto para o défice público apresentado no Orçamento do Estado para 2010, o que significa um redução de um por cento em relação aos 9,3 por cento de défice esperado para 2009, é ligeiramente mais alto do que anteriormente tinha sido previsto.

"Um plano digno de crédito para a redução de défice será necessário para assegurar uma boa governação para inverter a dinâmica adversa do défice e, por sua vez, evitar a pressão descendente das avaliações", diz a agência Moody's.

A agência refere ainda que o objectivo de ter um défice abaixo dos três por cento em 2013 será muito difícil de alcançar para Portugal sem um profundo corte nas despesas e o aumento dos impostos como tem sido sugerido pelos planos anteriores dos especialistas da agência.

"A limitada redução do défice este ano significa que terão de ser feitos cortes mais ambiciosos de 2011 a 2013 se o Governo quer reduzir o défice para os três por cento do PIB", diz a agência.

Para o analista vice-presidente da instituição, Anthony Thomas, os indicadores e o plano de redução dos desequilíbrios nas contas públicas significam que Portugal está a perder as condições favoráveis de contracção de empréstimos e "já não pode ser olhado como tendo uma dívida pública relativamente baixa".

Refere ainda que poderá existir o risco das taxas de juro aumentarem na Zona Euro mais rapidamente do que o seria desejável para Portugal.

Recorde-se que a 13 de Janeiro um alerta emitido pela Moody's referia que as economias de Portugal e da Grécia correm risco de "morte lenta" com os especialistas da agência a considerarem que não há risco de uma "morte súbita", mas que "a probabilidade de uma morte lenta é alta", a não ser que haja melhorias ao nível da competitividade económica e da capacidade para aumentar os impostos.

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