Portugal tem entradas de IDE inferiores ao seu potencial

Um relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (CNUCED), divulgado hoje, indica que Portugal está a receber menos investimento directo estrangeiro (IDE) do que é esperado em função do seu potencial.

Agência LUSA /

No relatório anual sobre o investimento mundial desta agência das Nações Unidas constata-se que o lugar ocupado por Portugal na ordenação dos vários países em termos de potencial de atracção de IDE é sempre superior ao seu desempenho.

Portugal tem ocupado uma posição no +ranking+ do potencial, que inclui 140 países, entre o 30.º e o 40.º lugar.

O índice de potencial de entrada de IDE é calculado pela CNUCED em função de variáveis económicas e estruturais, como produto interno bruto (PIB) por habitante, taxa de crescimento do PIB, exportações expressas em percentagem do PIB, linhas telefónicas e telemóveis por mil habitantes, uso comercial de energia por habitante, despesas em investigação e desenvolvimento expressas em percentagem do rendimento nacional bruto.

A percentagem de estudantes universitários na população, risco- país, exportação de recursos naturais em percentagem do total mundial, importações de partes e componentes electrónicas e automóveis em percentagem do total mundial, exportações de serviços em percentagem do total mundial e +stock+ de IDE entrado em percentagem do total mundial são também variáveis tidas em conta no cálculo.

A CNUCED divulga classificações deste índice para os anos de 1990, 1995 e 2000 a 2003, em que Portugal ocupa, respectivamente, os lugares 39º, 35º, 32º, 35º, 35º e 36º.

Esta estabilidade do potencial é correspondida, contudo, por uma tendência descendente no desempenho.

O índice de desempenho de entradas de IDE construído pela CNUCED pretende medir até que ponto o IDE recebido é o que deveria ser, considerando a dimensão económica do país e é calculado como a relação entre a quota do país nas entradas globais de IDE e a quota similar no PIB mundial.

Para aqueles anos, Portugal surge nas posições 12, 72, 67, 49, 42 e 44.

Em 2004, ano para o qual há informação relativa ao desempenho, mas não ao potencial, Portugal surge mesmo na pior posição da série, em 81.º lugar.

Onde Portugal aparece bem posicionado é no índice que afere o desempenho de saídas de IDE, que já cobre 132 economias.

Este índice é calculado de forma idêntica ao do índice de desempenho de entradas de IDE, com a adaptação devida.

Nos anos 1990, 1995, 2000 a 2004, Portugal ocupa, respectivamente, os lugares 40, 44, 15, 12, 16, 19 e 15.

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