Portugal vai reforçar financiamento para internacionalização de empresas na Venezuela
O Governo português anunciou na segunda-feira a criação de um novo quadro de apoio financeiro e institucional dedicado a impulsionar o investimento de empresas portuguesas no mercado venezuelano.
O anúncio foi feito em Caracas pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, e a estratégia conjuga o alargamento das competências do Banco Português de Fomento com a reabertura da representação da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) na capital venezuelana.
"Essa é uma área em que o Governo português está a trabalhar. Efetivamente, o Banco Português de Fomento vai passar a integrar agora uma responsabilidade, que não tinha, de poder financiar a internacionalização de empresas portuguesas, o investimento de empresas portuguesas fora do país", disse.
Questionado pela Lusa sobre as garantias para os empresários que participem na reconstrução da Venezuela após o duplo sismo de junho, o governante frisou que a "Venezuela será um bom pretexto para intensificar essa possibilidade de apoio do Estado à internacionalização das empresas portuguesas".
Manuel Castro Almeida começou a conferência de imprensa a explicar que a "Venezuela está a viver um ciclo novo no seu processo de desenvolvimento, e Portugal quer fazer parte deste ciclo".
O ministro precisou, com o apoio do embaixador luso em Caracas, Frederico Silva, e do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, que mais de um milhão de portugueses e lusodescendentes residem no país.
"Estamos aqui com uma missão empresarial, com cerca de 30 empresas portuguesas que estão interessadas e disponíveis em participar neste processo de desenvolvimento. Queremos estabelecer relações económicas e comerciais que hoje são muito ténues e que nós queremos aprofundar", afirmou.
Nessa linha, adiantou que o executivo vai "reabrir em Caracas a delegação da AICEP, que esteve fechada durante muitos anos, justamente para permitir o maior intercâmbio entre as empresas portuguesas e as empresas venezuelanas".
O governante apontou como setores prioritários a "construção de infraestruturas, habitação, projetos de engenharia, de fundações, resistência sísmica e também na área da metalomecânica, da energia e da saúde, do turismo".
Sobre o atual volume de trocas comerciais, classificou-o como "absolutamente ridículo", por ser "inferior a 10 milhões de euros", sustentando que a margem de crescimento que há "é enorme e o céu é o limite".
Manuel Castro Almeida destacou também os encontros mantidos na segunda-feira com vários ministros e com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, antecipando que o Fórum Empresarial Portugal-Venezuela servirá para promover a partilha de experiências e a concretização de negócios.
Estão igualmente previstos contactos políticos para "relançar negócios que já houve no passado e para começar outros negócios para o futuro".
À margem das trocas comerciais, o ministro destacou a profunda ligação afetiva entre os dois países.
"Todos os venezuelanos sabem que Portugal tem uma relação privilegiada com o Brasil, que fala português, e com os países de língua portuguesa africanos. Mas logo a seguir, o país que aparece em primeiro lugar na escala dos afetos dos portugueses é a Venezuela", disse.
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, iniciou no domingo uma visita oficial de três dias à Venezuela com o objetivo de reforçar as relações políticas e económicas entre os dois países.
A acompanhar a visita estão também o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, a presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Ana Casaca, e o Chefe de Gabinete da Presidência do Governo Regional da Madeira, Rui Abreu.