Portuguesa Sagesse quer mais escala de Portugal para atrair produções de cinema e TV

Portuguesa Sagesse quer mais escala de Portugal para atrair produções de cinema e TV

Portugal tem capacidade para captar produções estrangeiras de cinema e televisão, mas sofre de um problema de escala face a outros mercados, disse à agência Lusa a produtora Sofia Noronha, da Sagesse Productions.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
RTP

A entrevista acontece a propósito da estreia, hoje, do filme independente de terror "Crawlers! Bons Sonhos...", do espanhol Ángel Gómez Hernández, filmado integralmente em Lisboa com coprodução da Sagesse Productions.

Fundada em 2020, a Sagesse ficou conhecida pelo envolvimento na rodagem em Portugal do filme "Velocidade Furiosa X" e da série "House of the Dragon", aproveitando um sistema de incentivos fiscais lançado pelo governo português para atrair produções estrangeiras de cinema e televisão.

Na página oficial, a produtora detalha as percentagens de benefícios fiscais disponíveis em Portugal, mas também as de Espanha, país onde decidiu entrar para alargar a capacidade de trabalho, porque "há uma indústria mais estabelecida".

"Se eu esperasse só por Portugal acabaria por perder muitas oportunidades; então infelizmente é isso, tenho um pé cá, um pé lá, mas sem dúvida que acredito que Portugal ainda tem muito potencial", disse Sofia Noronha.

Para a produtora, é tudo uma questão de escala face a todos os outros mercados, em particular na Europa, o que interfere no volume de produções disponíveis para trabalhar.

"Não é que Portugal seja pequeno, porque nós estamos a conseguir, vamos chegar lá, mas temos de regularizar um bocadinho a indústria. (...) Temos de, entre todos nós, produtores, ter um bocadinho a mesma voz e tentar regularizar para passar alguma confiança aos clientes", opinou.

"Crawlers! Bons Sonhos...", que se estreia hoje nos cinemas, tem produção norte-americana, britânica, espanhola e portuguesa pela Sagesse Productions, por via do sistema de incentivos fiscais "cash refund", e pelos custos das equipas técnicas, com fornecimento de serviços e de localizações para filmar.

O filme, cuja história se passa num bloco de apartamentos encerrado para quarentena por causa de uma invasão de aranhas mortíferas, foi rodado num antigo hospital militar em Lisboa.

"Eles perceberam que o nosso envolvimento foi tão importante, nós criámos uma relação tão boa, ajudámos em tantas vertentes, não só na filmagem e na produção em si, que acabámos por nos tornar mesmo uma coprodução portuguesa, com percentagem do filme", disse.

Depois de "Crawlers", as equipas de produção e o realizador espanhol Ángel Gómez Hernández já fizeram outro filme em Lisboa, "Dangerous Games to Play", com estreia previsível para 2027.

Para o próximo ano, Sofia Noronha prepara ainda a produção para a rodagem de uma série inglesa integralmente em Portugal.

Sem poder adiantar detalhes, disse que serão nove meses de produção, 74 dias de filmagem com elenco britânico, o que significa despesas de logística, como alojamento, contratação de equipas locais, em Portugal.

"Eu acho que isto é um grande passo, perceber que não só fazemos cinco dias de filmagem, depois começamos a fazer mais cinco semanas, às tantas já são não sei quantos meses, e agora finalmente é um projeto inteiro", disse Sofia Noronha.

Além da prestação de serviços para produções estrangeiras, a Sagesse quer investir em produção própria, avançar como produtora criativa, mas de forma independente, sem passar pelo financiamento do Instituto do Cinema e do Audiovisual ou da RTP.

"São sistemas já muito viciados, que têm um sistema de pontuação e de critérios que não é aquilo em que eu acredito, porque eu acredito que esta indústria é uma indústria, como qualquer outra, que também tem de fazer benefício económico. E então é difícil eu vender um produto quando o que se pede é uma obra de arte", esclareceu.

A este propósito, Sofia Noronha diz que tem recebido muitos guiões: "Os portugueses tendem muito a querer contar histórias com muito significado da História ou do que é que nós representamos, os antepassados. É bom nós encontrarmos histórias portuguesas, mas o que importa é que os portugueses são seres humanos, que passam por todas essas emoções e essas histórias é que têm de ser contadas".

E deu como exemplo o filme "Santo António - O Casamenteiro de Lisboa", de Ruben Alves, com mais de 200.000 espectadores.

"Foi um sucesso. Porquê? Porque as pessoas querem ser entretidas. Pode ser para chorar, pode ser para rir, mas, no final é entretenimento, com uma função, com uma ferramenta de comunicação poderosíssima, com uma voz poderosíssima. Por isso é utilizar isso de forma inteligente e não aborrecida", opinou.

 

 

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