Portuguesa Silvex vai construir fábrica na Polónia e abrir capital a financiamento externo
Lisboa, 27 Abr (Lusa) - A empresa portuguesa Silvex, especializada em produtos de protecção e conservação em plástico, papel e alumínio, está a estudar a entrada de financiamento externo para acelerar o processo de internacionalização e vai abrir uma fábrica na Polónia.
"Estamos a estudar [com uma capital de risco portuguesa] a entrada de capital externo na empresa para alavancar a expansão internacional e vamos [ainda] abrir uma unidade fabril de raiz na Polónia nos próximos anos", disse à agência Lusa o director-geral da Silvex, Paulo Azevedo.
Segundo o gestor, "a Silvex vai investir 5 milhões de euros, numa primeira fase, na ampliação da capacidade produtiva da fábrica de Benavente, em Santarém, para que possa responder ao aumento da procura externa a partir do final de 2009".
"A ampliação da fábrica, que será realizada nos 2,5 hectares de terreno contíguos à unidade de Benavente, irá permitir aumentar em 50 por cento a capacidade de produção", disse Paulo Azevedo.
O aumento da produção gerado pela fábrica após a ampliação da unidade será destinado, em exclusivo, aos mercados externos, privilegiará a reciclagem, e corresponderá a um acréscimo da facturação global da Silvex no valor de 10 milhões de euros.
Para acelerar de forma mais rápida o processo de expansão internacional, a Silvex conta com a entrada de capital externo, prevendo que a operação esteja concluída no final de 2008.
Paulo Azevedo referiu ainda à Lusa que o projecto de expansão da fábrica vai ser "faseado e sustentado" e contará, igualmente, com o apoio de fundos comunitários provenientes do QREN - Quadro de Referência Estratégico Nacional.
Actualmente, a Silvex está presente com os seus produtos em Espanha, Itália, Reino Unido, Angola e em Cabo Verde, e vai abrir uma fábrica na Polónia, nunca antes de 2011, que implicará um investimento superior a 5 milhões de euros, sendo a unidade edificada em terrenos alugados.
De acordo com o gestor, a família Magalhães, liderada por Fernando Ernâni Magalhães, vai continuar a manter o controlo maioritário do capital da Silvex, bem como a sua gestão, após a entrada de capitais externos na empresa.
A Silvex, que comemora o 40º aniversário da sua fundação este ano, escolheu financiar-se através de uma capital de risco para aproveitar a conjuntura e ganhar tempo, entre 2 a 3 anos, para avançar com a sua estratégia de diversificação internacional do negócio.
Paulo Azevedo disse ainda à Lusa que a construção da fábrica na Polónia vai permitir ultrapassar problemas de logística associados à exportação e posicionar a empresa num raio de acção próximo do cliente e dos países limítrofes da região.
"Existem operadores portugueses a trabalhar neste país, como por exemplo, o grupo Jerónimo Martins, para os quais não temos capacidade de resposta", salientou.
Este grupo já possui mil lojas na Polónia, logo para responder à procura "qualquer referência que nos compre levanos a chegar à conclusão de que é preciso ter uma unidade industrial neste país", adiantou.
Paulo Azevedo referiu ainda que a Silvex comprou no final de 2007 uma pequena indústria, a Quikpack, no Vale do Ave, especializada na produção de "filme alimentar", que já trabalhava para a empresa da família Magalhães, por considerar importante continuar a potenciar o seu negócio.
Além disso, o gestor disse à Lusa que a Silvex tem vindo a reinvestir o "cash flow" operacional gerado (EBITDA).
Este indicador cresceu 24,5 por cento no ano passado, para 2 milhões de euros.
No mesmo ano, o investimento efectuado pela Silvex elevou-se igualmente a 2 milhões de euros, o dobro do aplicado em 2006.
A Silvex prevê alcançar um volume de negócios de 20 milhões de euros, contra 18,5 milhões de euros em 2007.
A inovação e diferenciação são uma das preocupações que norteiam a estratégia da Silvex, através do seu gabinete de Investigação e Inovação (I&D) na busca dos melhores produtos e serviços ajustados aos consumidores.
Assim, lançou entre outros o saco de gelo picado para Caipirinha, sacos das fraldas, sacos para sandes, numa parceria com a Disney, a que se pode juntar o material escolar, além dos sacos de fruta para os hiper e supermercados.
Actualmente, a empresa emprega 190 colaboradores, dos quais 12 com deficiência, e com a conclusão do alargamento da fábrica de Benavente espera vir a empregar 250 trabalhadores.