Poupanças dos moçambicanos recuam novamente em julho e afastam-se de máximos
As poupanças dos moçambicanos recuaram pelo segundo mês consecutivo em julho, para 294.915 milhões de meticais (4.006 milhões de euros), afastando-se dos valores máximos anteriores, segundo dados do Banco de Moçambique.
De acordo com os dados, este volume de depósitos a prazo compara com 295.876 milhões de meticais (4.040 milhões de euros) registados em junho, uma queda mensal de 0,3%, mas representa uma subida homóloga de 1,6% face aos 290.148 milhões de meticais (3.938 milhões de euros) de julho de 2025.
Estes depósitos atingiram em janeiro deste ano um máximo histórico de 304.675 milhões de meticais (4.126 milhões de euros), após crescerem face a dezembro. Desde então registaram oscilações, com recuos em fevereiro e março, recuperação em abril e novas quedas em maio, junho e julho.
Já os depósitos à ordem recuaram em julho para 510.310 milhões de meticais (6.944 milhões de euros), depois dos 515.145 milhões de meticais (7.039 milhões de euros) observados em junho. No mesmo mês de 2025 situavam-se em 467.287 milhões de meticais (6.331 milhões de euros).
No conjunto, o total dos depósitos bancários diminuiu para 805.225 milhões de meticais (10.950 milhões de euros) em julho, contra 811.021 milhões de meticais (11.079 milhões de euros) no mês anterior.
Em Moçambique funcionam 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito, entre outras instituições financeiras.
A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique manteve-se inalterada em setembro, nos 15,5%, pelo quinto mês consecutivo, após três cortes anteriores este ano, anunciou no final de julho a Associação Moçambicana de Bancos (AMB).
A decisão acompanha a do Banco de Moçambique, que em julho deixou inalterada a taxa de juro de referência MIMO, enquanto a taxa definida pela AMB, conhecida como `prime rate`, tinha vindo a descer progressivamente desde janeiro de 2024, após seis meses consecutivos em máximos de 24,1%.
"Esta decisão é sustentada pela redução da liquidez em moeda nacional no sistema bancário, decorrente do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias em maio último, não obstante a prevalência de elevados riscos e incertezas associados às projeções de inflação", anunciou o governador cessante do banco central, Rogério Zandamela.
A posição foi assumida no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), em Maputo, que se realiza a cada dois meses, e que assim decidiu manter a taxa inalterada, tal como já o tinha feito em março, então após 12 cortes (24 meses) consecutivos desde janeiro de 2024, e igualmente no final de maio.
A próxima reunião do CPMO está agendada para hoje, em Maputo, já com o novo governador do banco central, Felisberto Navalha, empossado este mês no cargo.